segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sinais de crescimento

Indústria manteve a arrecadação em alta. Agronegócio sustentou mais uma vez a balança comercial e MT submerge, um ano depois, da convulsão

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Um ano após a eclosão da crise no sistema financeiro mundial – ocorrida no dia 15 de setembro de 2008, com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers Holdings e a queda das bolsas de valores mundiais - a economia mato-grossense está praticamente refeita, apresentando clara tendência de crescimento sustentável para 2010, o que mostra a força de sua economia. De acordo com técnicos, consultores econômicos e empresários ouvidos pela reportagem esta semana, Mato Grosso “não sofreu tanto com a crise” como outros estados por ter sua economia sustentada no agronegócio. Como diz o jargão, mesmo sob crise o mundo não pára de comer e Mato Grosso oferta alimentos.
“Quando a crise veio à tona, já estávamos com a safra plantada. E o crédito em 2009 foi retomado em um momento importante, no mês de julho, quando os produtores se preparavam novamente para o plantio”, avalia o economista Vivaldo Lopes. Segundo ele, a crise no Brasil teve impacto mais forte nos setores industrial, mineração e produtos manufaturados para exportação, “o que não é o caso de Mato Grosso”.
Segundo Lopes, a grande lição tirada da crise é que os governos não podem abrir mão completamente do controle do mercado financeiro. “O mercado não se auto-regula. É preciso ter uma vigilância mais forte do Estado sobre o mercado financeiro mundial”.
Para o economista Vivaldo Lopes, o pior já passou. “Devemos superar os últimos sinais [da crise] até o final deste ano e entrarmos em 2010 com mais oxigênio”. Ele prevê crescimento de 5% no PIB brasileiro e incremento acima de 10% na economia mato-grossense no próximo ano. “2010 será um ano de retomada do crescimento. Acredito que a única coisa que está ‘pegando’ ainda é a oferta de crédito que não está fluindo nos patamares dos anos anteriores”.
Prova disso são os números (no quadro ao lado) que mostram o saldo superavitário do comércio internacional mato-grossense. De 2008 para 2009, por exemplo, o saldo das exportações locais passou do 10° no ranking nacional dos estados que mais exportam no País, para o 6°. Além disso, como frisa o consultor econômico da Federação das Indústrias no Estado (Fiemt), Carlos Vitor Timo Ribeiro, Mato Grosso detém atualmente o segundo maior saldo comercial do Brasil, US$ 4,24 bilhões, 34,2% maior do que o registrado no primeiro semestre de 2008. Cifras superadas apenas por Minas Gerais. Outro indicador da sustentabilidade local, como acrescenta Timo Ribeiro, apesar de quedas nas arrecadações federal e estadual, a indústria, no entanto, continuou com desempenho positivo, embora em ritmo menor, mas garantiu na comparação entre os primeiros semestres de 2008, contra 2009, alta de 4,8% no total gerado ao Estado, que passou de R$ 613 milhões em ICMS para R$ 643 milhões. Neste período, a arrecadação estadual encolheu 0,4%.
De acordo com o vice-presidente da Fiemt, Jandir Milan, a crise “chegou amena em Mato Grosso” e já está terminando. “No primeiro momento levamos um susto, alguns projetos chegaram a ser adiados, mas os investimentos já foram retomados no setor industrial”, disse ele. Na opinião de Milan, a perspectiva é de que os investimentos sejam retomados de uma forma mais forte em 2010. “A indústria está restabelecida e ninguém mais fala em crise hoje”.
Timo frisa que o maior impacto da crise em Mato Grosso, depois do encolhimento da arrecadação de impostos – fruto da redução do ritmo da atividade econômica - o maior efeito da crise na economia estadual se deu na redução da capacidade de geração de empregos formais. Na comparação entre os primeiros semestres de 2008 contra 2009, a extinção de vagas chegou a 61% no Estado e a 86% na indústria.
ESTADO - O secretário de Estado de Fazenda, Éder Moraes, admite que houve retração em alguns investimentos programados para este ano, como o da Sadia (R$ 600 milhões) em Campo Verde (139 quilômetros ao sul de Cuiabá), mas que deverão retornar em 2010. “O importante é que Mato Grosso não deixou de crescer e trabalhamos com uma projeção de receita de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) igual a de 2008, R$ 4,186 bilhões, considerada muito boa. Em linhas gerais, a arrecadação apresenta bom desempenho este ano”.
O planejamento inicial para 2009, feito entre maio e junho do ano passado, previa crescimento para a arrecadação de ICMS. “Com a crise no último trimestre do ano, o primeiro trimestre de 2009 foi muito ruim. Refizemos as contas e passamos a trabalhar para repetir os números de 2008, mesmo com a queda de 11% nos repasses federais feitos para Mato Grosso”, afirmou Moraes. (Veja mais na C2)

Diário de Cuiabá

Selzy Quinta

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