domingo, 1 de novembro de 2009

Maggi e o PMDB

Alfredo da Mota Menezes

Blairo Maggi está não só apoiando, mas é o avalista e condutor dos passos do Silval Barbosa como candidato a governador para 2010. O Silval é mais candidato dele do que do PMDB. O Blairo está usando todos os meios para eleger alguém que não é do partido dele. Sem o Maggi a candidatura Silval não existe.

O fato inusitado é a ênfase que o Blairo está dando a um nome fora do seu partido. Fortalece, no caso, o PMDB e não o PR. Houve antes no estado apoios de lideranças a outros partidos, mas quando o outro partido não tem nome em evidência ou está desgastado. Não é o caso do PR hoje em MT.

Não se vê, por exemplo, o presidente Lula fazendo o mesmo que o Blairo está fazendo em MT. O Lula teria a chance de apoiar o Ciro Gomes do PSB para a presidência. Falou-se até que poderia apoiar o Aécio Neves no PMDB como candidato a presidente.

Ele não foi por aí, criou uma candidatura do nada no seu partido, PT. Perca ou ganhe está fortalecendo a sigla no jogo político-eleitoral nacional. Em MT vê-se um caso diferente.

Alguém poderia alegar que o Blairo faz isso porque pensa em grupo político e não em partidos. Pode ser um equívoco. Partidos têm brigas e fraturas, imagine grupo político permanecer como tal por sei lá quantos anos. Lá na frente uma coligação nacional leva gente do grupo para um lado e outros para outro diferente. Ou mesmo fatos no estado podem fazer que gente e grupos se separem. A história local é pródiga em exemplos.

Com a nova ênfase em fidelidade partidária não dá para imaginar também que o Silval iria mudar de sigla para seguir o Maggi. Poderia até perder o mandato.

Ou talvez, pensariam outros, o Blairo acha que o Silval é maleável politicamente. O poder transforma as pessoas. Ele, se eleito governador, quer ser líder, ter luz própria. Não iria ficar subordinado a outras lideranças. Se fizesse isso teria problemas para administrar e com a história. Na história seria o tal governador que não mandava e não teve luz própria.

É difícil aceitar que isso ocorra. O próprio partido dele não aceitaria essa situação. Mais à frente, na busca por espaço e liderança, Blairo e Silval poderiam se estranhar. Um fato até normal na política. Estranhar dentro de um mesmo partido é uma coisa, em siglas diferentes é outra.

Será que a ação do Blairo em criar um nome fora do seu partido é por que não gosta de sombras por perto? Não gosta de dividir internamente liderança? O PR tinha chance de trabalhar alguns nomes.

Se ele desse a mesma atenção que dá ao Silval qualquer nome do partido dele estaria em boa posição junto à opinião pública. O governador preferiu buscar alguém no partido do Bezerra para apoiar.

Mauro Mendes sentiu que não teria espaço no PR e foi para o PSB. O Blairo não gostou e gente do seu lado o chamou de traíra. Não deu para entender direito a colocação.

Traíra porque foi buscar espaço próprio, longe do chefe? Sai da tutela e vira traidor? Seria também por isso que existe agora pequena fissura entre o Pagot e o Maggi?

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br; site: www.alfredomenezes.com

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Selzy Quinta

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