quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fronteira é dominada - Efetivo de 750 homens do Exército, além de policiais das mais variadas corporações ‘fecham’ divisa de MT e do MS com Bolívia

Intenção é combater toda sorte de crimes, em especial o contrabando de armas e o narcotráfico recorrente

KEITY ROMA
Da Reportagem
Um efetivo de 750 homens do Exército está patrulhando a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia durante a Operação Cadeado 5, iniciada ontem, para combater crimes na região. A ação coordenada pelo Comando Militar do Oeste (CMO) também é realizada simultaneamente em Mato Grosso do Sul, nas divisas com os territórios boliviano e paraguaio para barrar a entrada de drogas e armas contrabandeadas no país.
No Estado, as equipes estão concentradas em Cáceres, Comodoro, Vila Rica e Pontes e Lacerda. A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias Militar e Civil, a Marinha e fiscais do Ibama e da Receita Federal também participam do monitoramento de quase 1,6 mil quilômetros nas divisas dos dois estados. A ação que não tem previsão para ser encerrada.
A operação chega no momento em que autoridades locais começam a se preocupar com a utilização de Mato Grosso como rota para o tráfico de armamentos destinados a narcotraficantes e facções criminosas do Rio de Janeiro. A prática mais usual na divisa com o Paraguai abasteceria criminosos do Comando Vermelho (CV), do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outras organizações criminosas.
Mês passado uma apreensão de sete fuzis, modelo 762, em um veículo, na BR-070, em Primavera do Leste, despertou a atenção da PRF para a fragilidade da fronteira mato-grossense para a entrada de armas.
O Núcleo de Operações Especiais (NOE) da corporação estima que um fuzil comprado na Bolívia por R$ 5 mil seja revendido a criminosos cariocas por até R$ 40 mil – margem de lucro que torna o contrabando bastante atraente.
“Todo o trecho da fronteira seca que separa Mato Grosso da Bolívia é bastante crítico. Além dos soldados que compõem equipes fluviais, que navegarão pelo rio Paraguai e, em caso de embarcações suspeitas, farão a abordagem, também daremos bastante enfoque para as estradas vicinais, que são inúmeras”, frisa o tenente-coronel da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, Elto Valich.
Valich aponta que pelas “cabriteiras”, vias alternativas de tráfego que geralmente passam dentro de propriedades particulares, muito produto de contrabando entra no Estado, especialmente a cocaína trazida da Bolívia. Outro meio de entrada dos produtos ilícitos é aéreo - com o uso de aviões particulares.
Além da força-tarefa do Exército e demais instituições, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) continuará nos postos de fiscalização.
“Vamos atuar em pontos distintos aos do Gefron. A legislação dá ao Exército a possibilidade de atuar em uma área de 150 quilômetros de largura para dentro da fronteira, sem restrição da extensão. Tudo que houver de irregularidade será detectado”, complementa o tenente-coronel.
Em Mato Grosso do Sul retroescavadeiras e dinamites serão usados para destruir estradas vicinais, mas a medida não será adotada em terras mato-grossenses, segundo Valich. O policiamento intensivo do lado brasileiro contrasta com o efetivo disponibilizado no trecho do território boliviano, onde praticamente inexiste fiscalização.

Diário de Cuiabá

Selzy Quinta

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