Homenageia categoria com história de um incansável personagem da educação
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Graduado em duas faculdades, Direito e Filosofia, o professor Jango Fernandes de Moraes, 46 anos, 20 de docência, até pouco mais de quatro anos era um cidadão comum, como a maioria dos trabalhadores brasileiros.
Na condição de pai, além de ver os filhos (dois) formados, Jango planejava constituir um patrimônio que lhes assegurasse conforto e estabilidade financeira. Como marido, queria continuar compartilhando com a mulher, a também professora Cristiane Meire, com quem é casado há mais de 20 anos, as responsabilidades de manter sua família unida.
O Diário escolheu a história de Jango para homenagear, hoje, Dia do Professor, os profissionais que se dedicam à educação.
Para alcançar suas metas profissionais e familiares, Jango trabalhava mais de 10 horas por dias. Ele era professor de Direito em três instituições, na Unic e nas escolas do Ministério Público e da Magistratura do Trabalho (Amatra), isso até o dia 2 de maio de 2005. Antes ainda, por uma longa temporada, foi professor substituto na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso.
Porém, foi no dia 3 de maio de 2005 que a vida de Jango tomou um rumo que jamais poderia imaginar. Nesse dia, o professor, alertado pela mulher, decidiu procurar um médico na tentativa de descobrir porque seus pés estavam tão inchados.
Descobriu, na primeira consulta, que estava em crise hipertensiva e, supostamente, com problemas renais e diabetes. Com pressão arterial em torno de 24 por 12, foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O professor entrou em coma horas depois da internação e quinze dias depois, acordou cego. “Quando abri os olhos e percebi que não enxergava nada, entrei em desespero, fui até a janela procurando a luz do sol, mas continuava sem enxergar”, relata.
A princípio, recorda Jango, achou que poderia ser uma cegueira temporária, mas, depois, foi informado que o diabetes havia afetado sua visão e seus rins só estavam funcionando com hemodiálise. Pouco meses depois, quando para muitos ele caminhava para a aceitação da nova vida, o professou entrou em depressão.
Durante nove meses, diz, abandonou tratamento e se isolou da família e dos amigos criando um mundo próprio e sombrio. Até que, mais uma vez convencido pela mulher, aceitou ir ao médico. A história dele, relatada pela esposa, comoveu os médicos. “Ao perceber que um dos médicos havia se emocionado, pensei comigo: se ele, que não me conhece, se sentiu assim e está querendo me ajudar, tenho que reverter essa situação”.
A partir daquele dia, Jango Fernandes de Moraes voltou a ser o brasileiro batalhador de sempre. Retornou à escola para reaprender o que antes era hábito comum: consultar e enviar emails, emitir notas, passar trabalhos e bater papo com os alunos.
Por meio de um curso oferecido no Instituto dos Cegos de Mato Grosso (Icemat) pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Jango aprendeu a operar computador com som nas teclas e ingressou em um mundo de novos valores. “Deixei de lado os projetos materiais e estou transformando meus conhecimentos em ajuda, em benefício aos deficientes que precisam do meu auxílio”, completa.
O professor Jango assumiu a assessoria jurídica do Icemat e passou a ser um porta-voz da entidade. Além disso, orgulha-se se dizer que continua sendo reconhecido nas ruas e recebendo consultas de alunos por email.
ALECY ALVES-DC
Selzy Quinta
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