Edílson Almeida - 24 Horas News
A meta dos médicos de Cuiabá foi atingida. Nesta quarta-feira, num dos dias mais quentes do ano, apenas um profissional de saúde compareceu ao Pronto Socorro Municipal para trabalhar. Isso mesmo: apenas um médico. Osvânio Salomão Pimenta, estatutário. Ao perceber que estava sozinho para atender todas as situações de urgência e emergência no box, se acautelou: foi até a Polícia e lavrou boletim de ocorrência para evitar ser responsabilizado criminalmente por familiares em eventual caso de morte. No serviço deveriam estar quatro médicos cirurgiões. Porém, 23 dos 28 profissionais do setor pediram demissão.
O “apagão” médico pegou a Secretaria de Saúde de surpresa. Na terça-feira, o prefeito Wilson Santos deixou uma reunião com os médicos, no Palácio Alencastro, interpretando que havia conquistado uma espécie de trégua e que as questões pendentes no debate sobre salários e condições adequadas de funcionamento das unidades de saúde seriam discutidos a partir desta quinta-feira. Santos chegou a elogiar os profissionais médicos. “Temos a melhor equipe de profissionais de Mato Grosso” - reconheceu, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais que “salvam vidas em situações adversas”.
Mas não foi assim que o Sindicato dos Médicos, que patrocina o momento de demissão em massa dos profissionais, interpretaram a conversa. Nesta quarta-feira, o presidente da entidade sindical, Luis Carlos Alvarenga, ironizou a questão e pediu que o secretário de Saúde, Luiz Soares, apontado como pivô da crise, realocasse os 800 médicos que diz estarem disponibilizados. “Ele deveria ter realocados-os” – comentou.
Ao tomar conhecimento de que o trabalho médico estava comprometido no Pronto Socorro, a Prefeitura optou por pedir ao Serviço Ambulatorial de Urgência (Samu), reencaminhasse todos os casos para a cidade de Várzea Grande.
Nos postos de saúde também o trabalho ficou prejudicado. De acordo com levantamento preliminar da Secretaria de Saúde, de 35 postos averiguados, não houve atendimento em dez. O secretário Luiz Soares mencionou que o nome do Conselho Regional de Medicina estaria sendo usado indevidamente para pressionar os médicos a deixarem seus postos de trabalho.
Pela manhã, o presidente do CRM, Arlan Azevedo Ferreira, esteve com o secretário Soares e depois no Pronto Socorro Municipal. Ele criticou o que chamou de “radicalismo” e pediu moderação no movimento. Para Arlan, a sociedade não pode ficar prejudicada, especialmente os mais humildes, principais clientes da unidade de saúde.
Selzy Quinta
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