domingo, 12 de julho de 2009

As (péssimas) lições da política

Onofre Ribeiro

Desde o ano passado escândalos das mais diversas origens têm pontuado o sistema político brasileiro. Recorde-se, por exemplo, a enorme encrenca do presidente do Senado, Renan Calheiros. Agora anote-se as enormes encrencas que pontuam o Senado Federal. Sabe-se que na Câmara dos Deputados não são menores, até porque, em vez de 81 senadores, a casa abriga 513 parlamentares muito mais heterogêneos vindo de todas as culturas políticas de todos os “cantões” do país. Para breve será a vez da Câmara, porque muitas organizações não-governamentais, o Ministério Público e a imprensa estão levantando informações. Será outra penosa via-sacra de denúncias, e desmentidos, de negativas e......de impunidades.

O presidente do Senado, José Sarney, aparece no coração da fogueira. É um político antigo, com métodos antigos e mestre da cultura política nordestina antiquada. É um escândalo atrás do outro e estão longe de acabar.

Mas não precisamos ir longe. Aqui em terras de Rondon, temos os nossos escândalos provincianos nascidos na gloriosa Câmara de Vereadores de Cuiabá. É uma sequência que começou há 10 anos com desvios ou má aplicação de recursos em valores muito elevados. Sem falar na improdutividade da Casa. Agora nesses dias, as coisas se perderam mesmo. Tem o escândalo da administração Lutero Ponce e deságuam nas fantásticas peripécias do jovem vereador Ralph Leite. Tem sido uma sucessão muito dolorosa de denúncias sobre denúncias, de desmentidos sobre desmentidos pontuados por uma morna e preguiçosa sucessão de liminares da justiça mato-grossense que parece viver na Tailândia. Aqui, nada prossegue. Tudo se contemporiza, nada se julga, nada se pune. E a impunidade corre solta.

Mais curioso, porém, do que a impunidade e as más práticas políticas, é que a sociedade não quer isso, não aprova, mas não está organizada para reagir. E quanto mais crises aparecem e morrem nos porões da impunidade e das desculpas publicadas na mídia, mais estímulo se dá aos escândalos e às más práticas. O raciocínio vai se tornando mais cínico, mais oportunista e mais freqüente: “ora, não vai dar em nada mesmo!”. Pior do que os escândalos talvez seja esse cinismo dos praticantes, da impunidade e da certeza de que tudo se pode porque ninguém devolve dinheiro desviado e nem corre riscos de ser efetivamente preso. E, pior ainda, é o comodismo da sociedade que não reage nunca. Fala-se nas rodinhas de amigos, nos bares, dentro do ônibus, correm notas sacanas na internet, mas não passa disso. Pior do que pior, é que as pessoas até se animam no auge dos escândalos, que na próxima eleição darão o troco. Nada! Darão o voto mesmo animados por alguma pobre justificativa, mais ou menos no estilo da indecente política dos anos 50, consagrada pelo ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros: “é preferível quem rouba mas faz”.

Aqui em nosso estado, não se pode negar justiça à Polícia Fazendária, formada por um grupo de jovens delegados empenhados em, pelo menos, auditar os escândalos, mesmo sabendo que seu destino será alguma lata de lixo de plantão. Alguns setores do Ministério Público também se empenham, mesmo sabendo que o destino será a mesma lata de lixo.

Mas a esperança é de que “nas próximas eleições eles terão o troco”. Encerro com uma interjeição bem cínica do linguajar cuiabano que quer duvidar de uma situação: “será???!!!”.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@terra.com.br

www.onofreribeiro.com.br

Selzy Quinta

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