quinta-feira, 22 de novembro de 2012

PF culpa líderes e imprensa por agitação em despejo em Marãiwatsede

Um relatório da Polícia Federal em Mato Grosso elegeu os líderes de proprietários rurais e a imprensa por disseminar clima de tensão no processo de desocupação da Terra Indígena Marãiwatsede, localizada nos municípios de Alto Boa Vista e São Felix do Araguaia, prevista para o começo de dezembro. Segundo o documento, o discurso sobre um suposto “derramamento de sangue” é propagado pelas lideranças e não corroborado pela população em geral.

E acrescenta: “A imprensa funcionou como um catalisador da violência propagada pelos elementos isolados que tentavam agitar os demais populares” – diz o documento da Força Nacional, divulgado pela própria PF, ao relatar um enfrentamento ocorrido durante o processo de notificação das famílias. “Durante todas as notificações foi observado que a população em quase sua totalidade é ordeira, educada e resignada com a situação” - informou.

Segundo o documento, a maior apreensão é quanto o destino. “Muitos já estão em processo físico e psicológico para a desocupação. Outros acreditam em alguma solução no final” - aponta.

O relatório revela que no Posto da Mata, principal aglomerado urbano dos posseiros, “era nítida a provocação de um grupo de populares, sempre capitaneados pelas lideranças locais”. O documento denuncia que o uso de  fogos de artifícios quando da chegada da Força Federal para a notificação, presença da imprensa, uso do carro de som, equipes de filmagem e provocação aos policiais da Força Nacional, “tinham como alvo provocar uma reação violenta, o que não ocorreu”.

Apesar do relatório mostrar que a situação esta sob controle na antiga Fazenda Suya Missu, as prefeituras do Norte Araguaia estão se movimentando para participarem nesta quinta-feira, 22,  na grande Audiência Pública no Posto da Mata a partir das  9 horass para tratar do despejo.  Um Comissão formada por parlamentares e representantes do Governo Estadual e Federal fará uma visita enloco na região na tentativa de saber a realidade das famílias e também do impasse gerado pela ordem de desocupação.

De acordo com o Prefeito de Vila Rica Naftali Calisto que está em Brasília, o manifesto faz parte de uma espécie de pressão popular à Presidenta Dilma Rousseff para que não despeje 7 mil pessoas na rua sem direitos.

“Nós estamos juntos com as famílias da Suiá, entendemos que é uma causa do Araguaia e não uma causa isolada, por isso é preciso que estejamos unidos com esse movimento” – disse o  prefeito de Porto Alegre do Norte, Edi Scorsin. Em Confresa a Prefeitura estará disponibilizando 3 ônibus  para levar quem queira participar do movimento. “É o mínimo que podemos fazer para colaborar com esse povo tão sofrido da Suiá Missu, é uma desapropriação que pode prejudicar toda a nossa região” -  disse o prefeito  Gaspar Domingos Lazari.

Por Maurício Curvinel | Fonte: 24 Horas News

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