O Ministério Público Federal (MPF) em Barra do Garças (509 quilômetros a leste da Capital) vai acompanhar todas as etapas de trabalho do Incra para o assentamento das famílias ocupantes da terra indígena Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista (1.054 quilômetros a nordeste) com perfil para serem beneficiárias do programa nacional de reforma agrária. Quatro áreas já foram apontadas pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como possíveis de receber os moradores da Gleba Suiá Missú.
Há cerca de uma semana, fazendeiros, posseiros e grileiros ocupantes da terra indígena Marãiwatsédé, homologada em 1998 como ocupação tradicional do povo Xavante, estão sendo notificados a deixar voluntariamente o local em até 30 dias.
O procedimento administrativo instaurado na sexta-feira (16) será conduzido pela unidade do MPF que será instalada, em meados de 2013, no município de Barra do Garças e que atualmente funciona provisoriamente junto à unidade do MPF em Cuiabá.
A atuação do MPF neste caso tem o objetivo de acompanhar, fiscalizar e auxiliar o assentamento das famílias de posseiros de Marãiwatsédé que se enquadrarem no perfil de beneficiários do programa de reforma agrária e o acesso dos assentados aos direitos fundamentais de moradia digna, educação, saúde e trabalho.
O Incra informou ao MPF a existência de quatro propriedades próximas à terra indígena Marãiwatsédé aptas a receber pessoas que se enquadram no perfil da reforma agrária. Em Ribeirão Cascalheira (900 km a leste da Capital) há 2 projetos de assentamento, Santa Rita e Primorosa, que dispõem de 264 vagas. Em Canarana (823 km a leste da Capital), o projeto Guatapará, criado para 200 famílias, tem expectativa de existência de 80 vagas.
A quarta propriedade citada pelo Incra é um imóvel de 12.486 hectares em Água Boa (730 km a leste da Capital). O assentamento, entretanto, ainda não existe, mas o processo de desapropriação da área está na fase final. O projeto de assentamento rural a ser criado possuirá capacidade para 401 famílias, sendo que metade dele poderá ser destinado ao assentamento dos ocupantes de Marãiwatsédé.
A primeira medida adotada pelo MPF é a requisição para que o Incra apresente, no prazo de 10 dias, o cadastro das pessoas ocupantes de Marãiwatsédé que se encaixam no perfil de reforma agrária. O MPF requisitou, também, as informações detalhadas sobre as condições físicas dos projetos de assentamentos que possuem vagas disponíveis e a previsão da data da vistoria para confirmação das vagas disponíveis no assentamento Guatapará, em Canarana. A resposta deverá ser encaminhada em 20 dias.
E até o dia 3 de dezembro o Incra deverá informar o cronograma de criação do projeto de assentamento no imóvel em desapropriação em Água Boa.
O MPF também requisitou ao Ibama que apresente a lista das autuações realizadas durante a Operação Marãiwatsédé, realizada em meados de 2011, com informação acerca do tamanhos das propriedades, do desmatamento encontrado e do local de residência dos proprietários.
Fonte: Ascom MPF/MT/Foto: Divulgação
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