Drogas, consumo de álcool e demarcação nas aldeias indígenas problemas antigos, mas que persistem em Mato Grosso.
Segundo o líder Ysarira Karajá, 50, da aldeia São Domingos, localizada no município de Luciara (1.166 km a noroeste de Cuiabá), o alcoolismo representa 50% dos casos na etnia que tem população de três mil índios. Ele conta que o problema começou a ocorrer após o contato com a população da cidade. Outro fato citado por Karajá é 5% usam maconha e cocaína. Na falta desses produtos, os índios cheiram cola, gasolina, pasta de dente misturada com outros produtos.
Por causa desses vícios, o líder revela ainda os casos de suicídio são comuns e cresceram nos últimos anos, atingindo principalmente os jovens na faixa etária dos 15 aos 16 anos.
“Drogados e bêbedos, muitas jovens acabam se prostituindo aumentando os casos das doenças sexualmente transmissíveis (DST´S). Essas esfinges não são resolvidas, porque é preciso pessoas capacitadas para ajudar. Já em relação aos casos dos suicídios é uma questão cultural”.
Para Karajá, a Fundação Nacional do Índio (Funai), não tem ação efetiva para conter os problemas e as aldeias contam apenas com ajuda e apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena. Além desses problemas, cita ainda casos comuns de gripe, diarréia, tuberculose, tosse, diabetes e câncer.
Karajá expõe ainda que é a questão da terra indígena demarcadas têm sofrido problemas com o tráfico de madeiras, de peixes, arrendamento de pastagens e queimadas.
Segundo Leonilda Maria Akuiri Lurireudo, da aldeia Meruri no município de General Carneiro(442 km ao leste), os principais problemas estão relacionados a saúde dos povos. Com uma população de mais de 500 indígenas, afirma que 30% do consumo de pinga são comuns nos jovens e pessoas mais antigas.
Já o líder Marcides Catulo Pacuera, 53 da aldeia central de Pacuera no município de Paranatinga (373 km ao sul), diz que a situação nas aldeias com o alcoolismo até a década de 80 era moderado e com a chegada das equipes do Programa Saúde da Família(PSF´s) os casos caíram 3%. “Sinto-me alegre com as mudanças, mas a presidente Dilma Rousseff precisa dar mais atenção à saúde indígena. O consumo de drogas e álcool, suicídio diminuíram, pois estamos mais conscientes”
Mesmo com a chegada da tecnologia e modernidade, 264 índios de Pacuera sofrem com gripes, pedras na vesícula e tuberculose. Marcides, revela que a Pastoral da Criança ajuda a diminuir a mortalidade e um novo projeto de plantio de grãos e para recuperação de alimentos estão sendo desenvolvidos na aldeia.
Wakari Kuikuro,25, da aldeia Kuikuro situada em São Jose do Xingu,onde residem 600 indígenas, diz que a maior preocupação da tribo é construção da Usina de Bel Monte e Paranatinga II. Revelou que os povos na aldeia não têm problemas com os vícios porque estão longe da cidade. “Graças da ajuda dos salesianos e grupos de apoio, os casos de mortalidade infantil diminuíram. Hoje enfrentamos problemas simples como gripe e tosse.
Regina Botelho – Da Redação
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