terça-feira, 16 de março de 2010

Serra e Dilma se parecem?

Há quem diga que os pré-candidatos à Presidência José Serra e Dilma Rousseff são tão semelhantes que se confundem. Se há pontos de contato, as diferenças são profundas


SA­RAH MOHN


Quem ou­sa di­zer que Dil­ma Rous­seff (PT) é o Jo­sé Ser­ra (PSDB) de sai­as faz uso de uma das in­co­e­rên­cias mais sim­plis­tas ins­tau­ra­das no ima­gi­ná­rio po­pu­lar nos úl­ti­mos tem­pos. As­sim co­mo o di­ta­do po­pu­lar diz que o pei­xe mor­re pe­la bo­ca — em alu­são à mor­di­da na is­ca pre­sa ao an­zol do pes­ca­dor —, afir­mar que os dois pré-can­di­da­tos à Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca pos­su­em o mes­mo per­fil che­ga a ser uma ga­fe, com­ple­ta­men­te sem fun­da­men­to. Afi­nal, os úni­cos pon­tos em co­mum en­tre a mi­nis­tra da Ca­sa Ci­vil e o go­ver­na­dor de São Pau­lo es­tão no di­plo­ma aca­dê­mi­co — são eco­no­mis­tas — e na per­so­na­li­da­de for­te — sub­stan­ci­al­men­te tacha­dos de an­ti­pá­ti­cos. Es­ses, no en­tan­to, nem de lon­ge são cri­té­rios pa­ra se as­se­me­lhar al­guém.
Mes­mo a per­so­na­li­da­de pa­re­ci­da pro­vo­ca con­tro­vér­si­as. São evi­den­tes os tra­ços de re­pug­nân­cia no tra­to com ou­tras pes­so­as, mas daí a con­si­de­rar ca­ra fe­cha­da, mau-hu­mor e gros­se­ria co­mo com­po­nen­tes de ca­rá­ter é ou­tra his­tó­ria. Dil­ma e Ser­ra têm tra­je­tó­ri­as de vi­da, e de es­co­lhas, e vi­sões de mun­do que ins­ta­lam en­tre os dois um mu­ro de con­cre­to in­fi­ni­to em lar­gu­ra, al­tu­ra e com­pri­men­to. Des­de sem­pre, a fal­ta de ca­ris­ma de ca­da um se en­ve­re­dou por ca­mi­nhos com­ple­ta­men­te dis­tin­tos.
A co­me­çar pe­la vi­da aca­dê­mi­ca, Dil­ma ini­ciou Eco­no­mia na UFMG, e Ser­ra, En­ge­nha­ria Ci­vil na USP. Ne­nhum dos dois com­ple­tou es­ses cur­sos. Aban­do­na­ram os es­tu­dos em prol da mi­li­tân­cia con­tra a di­ta­du­ra mi­li­tar. To­da­via, Dil­ma op­tou pe­las es­tra­té­gias de lu­ta ar­ma­da e Ser­ra ade­riu a gru­pos que de­ba­ti­am e de­fen­di­am a con­vo­ca­ção de As­sem­bleia Cons­ti­tu­in­te pa­ra re­ver­ter o qua­dro no Pa­ís. Após o pe­rí­o­do de conflitos do qual par­ti­ci­pou ati­va­men­te, Dil­ma se mu­dou pa­ra o Rio Gran­de do Sul, on­de te­ve que pres­tar no­vo ves­ti­bu­lar pa­ra se gra­du­ar em Eco­no­mia, en­tão pe­la UFRS. Exi­la­do, Ser­ra fez mes­tra­do na Es­co­la de Pós-Gra­du­a­ção em Eco­no­mia da Uni­ver­si­da­de do Chi­le (Es­co­la­ti­na) e, pos­te­rior­men­te, ou­tro mes­tra­do e dou­to­ra­do em Ci­ên­cia Eco­nô­mi­cas na Uni­ver­si­da­de de Cor­nell, nos Es­ta­dos Uni­dos.
Ape­sar de sem­pre en­vol­vi­dos com po­lí­ti­ca, Dil­ma nun­ca dis­pu­tou uma elei­ção, ao con­trá­rio, ocu­pou car­gos exe­cu­ti­vos após ser no­me­a­da. Ser­ra, des­de que vol­tou do exí­lio, não abriu mão de dis­pu­tas elei­to­ra­is. Foi de­pu­ta­do fe­de­ral cons­ti­tu­in­te e de­pu­ta­do fe­de­ral, se­na­dor, se­cre­tá­rio de Pla­ne­ja­men­to de São Pau­lo, mi­nis­tro de Pla­ne­ja­men­to e de Sa­ú­de, pre­fei­to da ca­pi­tal pau­lis­ta e, atu­al­men­te, é go­ver­na­dor da­que­le Es­ta­do. Em 2002, dis­pu­tou a Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca.
Os dois são eco­no­mis­tas, mas ges­to­res dís­pa­res. De­fen­dem a ma­nu­ten­ção de Es­ta­do de­sen­vol­vi­men­tis­ta. No en­tan­to, Dil­ma é de­cla­ra­damen­te a fa­vor de po­lí­ti­ca es­ta­ti­zan­te — vi­são de Es­ta­do mar­ca­da pe­la Re­vo­lu­ção de 1930 —, en­quan­to Ser­ra é adep­to de es­tra­té­gias mo­der­ni­zan­tes que de­em ao Es­ta­do pre­sen­ça li­mi­ta­da na Eco­no­mia. Na área eco­nô­mi­ca, por exem­plo, o go­ver­na­dor de SP é crí­ti­co de­cla­ra­do da po­lí­ti­ca de câm­bio e de ju­ros que se man­tém no atu­al go­ver­no — já manifestava esse po­si­cio­na­men­to con­trá­rio no go­ver­no de Fernando Henrique Cardoso. Já Dil­ma so­li­di­fi­ca a po­lí­ti­ca eco­nô­mi­ca do atu­al go­ver­no ao par­ti­ci­par de si­na­li­za­ções que pro­mo­vem o atu­al pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral, Hen­ri­que Mei­rel­les, à pos­tu­la­ção de vi­ce na cha­pa pe­tis­ta.
Na ava­li­a­ção do pro­fes­sor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar-SP) Mar­co An­tô­nio Vil­la — mes­tre em So­ci­o­lo­gia e dou­tor em His­tó­ria So­ci­al pe­la USP —, Dil­ma e Ser­ra não po­dem ser con­si­de­ra­dos “mo­e­da de mes­ma fa­ce”. Além da tra­je­tó­ria de vi­da dis­tin­ta, ele fri­sa que Ser­ra pos­sui vi­são de de­sa­fi­os eco­nô­mi­cos e so­ci­ais mais in­cli­na­dos à es­quer­da do que Dil­ma. Is­so por­que, ex­pli­ca, a con­cep­ção de Es­ta­do que Dil­ma tem é ba­si­ca­men­te de Es­ta­do pa­tri­mo­ni­a­lis­ta, “que in­cha a má­qui­na e fa­vo­re­ce in­te­res­ses pri­va­dos, em de­tri­men­to de in­te­res­ses pú­bli­cos”.
O pro­fes­sor pon­tua tam­bém o vi­és ide­o­ló­gi­co dis­cre­pan­te en­tre os dois. Se­gun­do Vil­la, a po­lí­ti­ca de ali­an­ças de Dil­ma “vai do Pau­lo Ma­luf ao Pau­lo Ra­i­nha”. “É um ar­co ide­o­ló­gi­co que vai da pi­or di­rei­ta do Bra­sil até o MST”. Tu­do le­va a crer que o pro­je­to apre­sen­ta­do por Dil­ma se­rá o mes­mo apre­sen­ta­do por Lu­la, que é o de uma po­lí­ti­ca sem ca­ra, sem sa­bor, pa­re­ci­da com co­mi­da de hos­pi­tal, que se co­me por obri­ga­ção. Uma po­lí­ti­ca sem co­ra­gem e ou­sa­dia.” Na opi­ni­ão de Vil­la, as aná­li­ses e pes­qui­sas que se faz da his­tó­ria de vi­da dos dois re­for­ça a dis­pa­ri­da­de de se­me­lhan­ças en­tre eles.
Pa­ra avi­go­rar a te­se de que as vi­sões eco­nô­mi­cas são dis­tin­tas, Vil­la acre­di­ta que, na cam­pa­nha des­te ano, Ser­ra vai re­al­çar que a po­lí­ti­ca eco­nô­mi­ca atu­al é, em gran­de par­te, con­ti­nui­da­de da an­te­ri­or. Po­rém, vai mos­trar que, ape­sar de a con­ti­nui­da­de ter si­do ne­ces­sá­rio du­ran­te cer­to tem­po, fal­tou ou­sa­dia do go­ver­no a par­tir de de­ter­mi­na­do mo­men­to, já que o Bra­sil cres­ceu ape­nas 3% ou 4% ao ano, en­quan­to a Chi­na cres­cia a 10%.
“Ago­ra, Ser­ra vai si­na­li­zar is­so com le­ve­za, por­que o que o atu­al go­ver­no de­ve es­pa­lhar ter­ro­ris­mo, di­zen­do que se a opo­si­ção ven­cer vai me­xer nos ju­ros e no câm­bio e que is­so po­de aba­lar os fun­da­men­tos da eco­no­mia bra­si­lei­ra. O mes­mo ter­ro­ris­mo que foi fei­to em 2002, mas ago­ra com si­nal con­trá­rio”, prevê Villa.
Quan­to aos per­fis de ad­mi­nis­tra­do­res, o pro­fes­sor da UFSCar apon­ta que a opo­si­ção vai mos­trar a di­fe­ren­ça de ges­tão por meio de nú­me­ros e do­cu­men­tos que pro­vem o fra­cas­so do Pro­gra­ma de Ace­le­ra­ção do Cres­ci­men­to (PAC). “Vão mos­trar que até ago­ra o PAC não mos­trou re­sul­ta­dos e que nin­guém é ca­paz de fa­lar que Dil­ma é uma ad­mi­nis­tra­do­ra pú­bli­ca.” Pa­ra ele, o ar­gu­men­to tem­po já es­ta­ria com a ré­pli­ca ga­ran­ti­da: “Oi­to anos é mui­to tem­po. Jus­ce­li­no Ku­bitschek cons­tru­iu uma ca­pi­tal em cin­co anos.”
Con­trá­rio
Na con­tra­mão da ava­li­a­ção de Mar­co An­tô­nio Vil­la, o ci­en­tis­ta po­lí­ti­co da Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Rio Gran­de do Sul Be­ne­di­to Ta­deu Cé­sar ava­lia que os per­fis de Dil­ma e Ser­ra se­ri­am mui­to pa­re­ci­dos: “Os dois são eco­no­mis­tas, têm per­fis téc­ni­cos e são po­lí­ti­cos des­de sem­pre. Ti­ve­ram mi­li­tân­cia po­lí­ti­ca des­de a ju­ven­tu­de, Ser­ra foi pre­si­den­te da UNE e exi­la­do e Dil­ma foi pre­sa po­lí­ti­ca. Em ter­mos de cer­ta in­fle­xi­bi­li­da­de, os dois são fa­mo­sos por se­rem de di­fí­cil tra­to. Pos­su­em per­fil de­sen­vol­vi­men­tis­ta”. Ta­deu Cé­sar lem­bra que, no go­ver­no FHC, Ser­ra era ti­do den­tro do PSDB co­mo uma pes­soa com vi­são des­to­an­te, “que com­pu­nha o ti­me de­sen­vol­vi­men­tis­ta con­tra o ti­me de per­fil mo­ne­ta­ris­ta”.
O ci­en­tis­ta da UFRGS ava­lia que, nes­ta elei­ção, os mar­que­tei­ros de Ser­ra e Dil­ma te­rão que fo­car nas di­fe­ren­ças par­ti­dá­ri­as en­tre os dois can­di­da­tos. “Acho que a gran­de di­fe­ren­ça en­tre um e ou­tro se­ja o per­fil par­ti­dá­rio.” Pa­ra ele, os dois não po­dem ser con­si­de­ra­dos com­ple­ta­men­te se­me­lhan­tes em ra­zão das ide­o­lo­gi­as par­ti­dá­ri­as dis­tin­tas de ca­da um. “In­sis­to que o par­ti­do faz di­fe­ren­ça, mas em ter­mos pes­so­ais acho que os per­fis dos dois não têm mui­ta di­fe­ren­ça. Mas não po­de­mos pen­sar que o po­lí­ti­co é só aqui­lo que es­tá à fren­te. Se não hou­ver res­pal­do e ali­an­ças par­ti­dá­ri­as, não é pre­ci­so de par­ti­do en­tão. A le­gen­da faz di­fe­ren­ça tan­to pa­ra ele­ger quan­to pa­ra go­ver­nar.”
Co­mo ci­en­tis­ta po­lí­ti­co, ele diz que fo­ca­ria a des­vin­cu­la­ção de ima­gem no as­pec­to par­ti­dá­rio e su­ge­re que se ques­ti­o­ne, por exem­plo, co­mo a di­fe­ren­ça de la­ços par­ti­dá­rios po­de in­ter­fe­rir nas ges­tões de ca­da um. Ele exem­pli­fi­ca que Dil­ma po­de fo­car sua cam­pa­nha apre­sen­tan­do per­fil vol­ta­do ao de­sen­vol­vi­men­to da equi­da­de so­ci­al, en­quan­to Ser­ra po­de mos­trar que re­for­ma ad­mi­nis­tra­ti­va e mo­der­ni­za­ção da má­qui­na pú­bli­ca po­dem tra­zer ga­nhos mai­o­res e in­cen­ti­vo pa­ra o Bra­sil. “Pa­re­ce-me que a ques­tão se­rá de nu­an­ce, por is­so a tra­je­tó­ria par­ti­dá­ria po­de ser a gran­de di­fe­ren­ça. O que é no­vi­da­de no Bra­sil.”
Da luta armada aos cargos públicos

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Pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff aderiu à luta armada no combate à ditadura, foi presa e torturada. Nunca disputou cargo eletivo

A formação vem de família de classe média alta. É filha do falecido advogado e empreendedor búlgaro, naturalizado brasileiro, Pedro Rousseff, que veio para o Brasil na década de 1930, época em que conheceu a mãe de Dilma Rousseff, a dona de casa Dilma Jane Silva. Dilma nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte (MG).
O viés socialista Dilma herdou do pai. Pedro Rousseff era filiado ao Partido Comunista da Bulgária. No Brasil, trabalhou em siderúrgica, construiu e vendeu imóveis. A família de Dilma sempre viveu com regalias: em casa espaçosa, administrada por empregados e com refeições servidas à francesa. Os três irmãos (Igor, Dilma e Zana Lúcia, morta em 1977) tiveram formação clássica, com aulas de piano e francês, e frenquentaram os clubes e as escolas mais tradicionais de BH. Pedro Roussef faleceu em 1962.
Em 1967, Dilma ingressou na Política Operária (Polop), organização fundada em 1961, espécie de ramificação do Partido Socialista Brasileiro. Na tentativa de implantar o socialismo no Brasil, os militantes se dividiram entre os que defendiam dois métodos o de luta pela convocação de assembleia constituinte e o em defesa da luta armada. Dilma ingressou no segundo grupo, que deu origem ao Comando de Libertação Nacional (Colina).
Em Minas Gerais, as ações do grupo eram focadas em assaltos a bancos e roubos de carros. Há relatos que apontam dois atentados a bomba, que não deixaram vítimas. Em meio às atividades do grupo, numa manhã de 1969, a casa onde estavam alguns integrantes do Colina, entre eles Dilma, foi invadida pela polícia. O grupo reagiu, utilizando metralhadora para matar dois policiais e ferir um terceiro. Perseguida, Dilma, com 21 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro.
No Rio, numa das reuniões que participava, Dilma conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo. Casaram-se e viveram juntos por cerca de 30 anos. Araújo era chefe da dissidência do Partido Comunista Brasileiro. O grupo dele se fundiu ao Colina e à Vanguarda Popular Revolucionária, transformando-se na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares.
Dentro do VAR Palmares, Dilma teria sido a organizadora, em 1969, no Rio, do roubo de um cofre pertencente ao ex-governador de São Paulo Ademar de Barros (considerado pela guerrilha como símbolo de corrupção), onde foram havia 2,5 milhões de dólares. A VAR-Palmares teria planejado, no mesmo ano, o sequestro de Delfim Netto, símbolo do milagre econômico do governo.
Dilma acabou sendo presa, em 1970, em São Paulo. Foi levada para a Operação Bandeirante (Oban), mesmo local onde cinco anos depois Vladimir Herzog seria assassinado. Dilma teria sido torturada por 22 dias com palmatória, socos, pau-de-arara e choques elétricos. Ficou presa até o final de 1972. Retornou a Minas e passou um período com sua família. Depois se mudou para Porto Alegre, onde morou na casa dos sogros até Carlos cumprir a pena.
Dilma iniciou a reconstrução de sua vida no Rio Grande do Sul. Como havia sido expulsa da Universidade Federal de Minas Gerais — punida por subversão —, onde cursava Economia, enfrentou novo vestibular e conseguiu se formar no mesmo curso pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Junto com Carlos Araújo, ajudou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), de Leonel Brizola.
O primeiro cargo executivo de Dilma foi o comando da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988), na gestão de Alceu Collares. Ela se desligou do cargo para se dedicar à campanha do marido, Carlos Araújo, à Prefeitura de Porto Alegre.
Em 1989, Dilma foi nomeada diretora-geral da Câmara Municipal de Porto Alegre, mas acabou sendo demitida pelo presidente da Casa, o então vereador Valdir Fraga. Em 1990, Alceu Collares foi eleito governador e indicou Dilma para a presidência da Fundação de Economia e Estatística (FEE). Permaneceu ali até fim de 1993, quando foi nomeada secretária de Energia, Minas e Comunicações.
Dilma ficou na secretaria até o final de 1994, quando seu relacionamento com Araújo chegou ao fim — eles se reconciliaram e viveram juntos até 2000. Com o fim do mandato de Collares, em 1995, Dilma se afastou dos cargos políticos e retornou à FEE.
Em 1998, o petista Olívio Dutra ganhou as eleições para o governo gaúcho, e Dilma retornou à Secretaria de Minas e Energia. Já nas eleições de 2000 para a Prefeitura de Porto Alegre, após desavenças entre PDT e PT, Dilma apoiou o petista Tarso Genro, que venceu o pedetista Alceu Collares. Com a vitória, Dilma se filiou ao PT.
Nova petista, Dilma se integrou à equipe que formulou o plano de governo na área energética para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2002. Com a vitória de Lula, foi indicada como titular do Ministério de Minas e Energia, onde permaneceu de 2003 a junho de 2005. Desde essa data, é ministra-chefe da Casa Civil.
A principal vitrine de Dilma é o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro de 2007, do qual é considerada “mãe”. Desde abril daquele ano, ela começou a ser apontada como possível candidata à sucessão de Lula.
Em abril de 2009, a ministra iniciou tratamento contra um linfoma, descoberto na axila esquerda. Passou por sessões de quimio e radioterapia e em setembro do mesmo ano declarou à imprensa que estava curada.
Dilma tem uma única filha, Paula Rousseff Araújo, 33 anos, que está grávida de três meses. Dilma espera ser avó pela primeira vez nas vésperas das eleições.
Do exílio político às eleições

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Pré-candidato tucano, José Serra foi presidente da UNE, fez dois mestrados e doutorado em Economia e sempre enfrentou eleições

Ao contrário de Dilma Rousseff, o pré-candidato à Presidência José Serra é de origem pobre. Filho único do imigrante italiano Francesco Serra (falecido em 1981) e da brasileira filha de imigrantes italianos Serafina Chirico Serra (falecida em 2007), Serra nasceu em São Paulo, no Bairro da Mooca, em 19 de março de 1942. Na infância, morou em casas com dois e três cômodos. O pai era semianalfabeto e vendia frutas no Mercado Municipal. Quando Serra cursava o que hoje corresponde ao Ensino Médio, a família se mudou para um apartamento alugado no Bairro do Ipiranga.
José Serra ingressou no curso de Engenharia Civil, em 1960, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Foi na universidade que aderiu ao movimento estudantil. Elegeu-se presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e, em 1963, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), apoiado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Na época, a UNE dava poder de voz a seus presidentes, que participavam diretamente da política nacional.
Com o golpe de 1964, Serra passou a fugir de militares brasileiros. Refugiou-se no Departamento de Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro, na casa do deputado Tenório Cavalcanti e em casas de amigos. Chegou a se refugiar por três meses na embaixada da Bolívia. De lá, partiu para a França, onde permaneceu até 1965. Por causa do exílio, parou de cursar Engenharia. Em março de 1965, retornou clandestinamente ao Brasil e ficou escondido na casa da atriz Beatriz Segall.
Nessa época, numa das reuniões secretas de que participava, seu grupo foi preso e levado por policiais ao Departamento de ordem Política e Social (Dops). Passou a ser perseguido durante alguns meses, e resolveu sair novamente do Brasil. Radicou-se no Chile, onde participava de ações políticas para denunciar a repressão no Brasil. Ficou no Chile por oito anos, período em que se dedicou à carreira acadêmica, até 1973. Naquele país, chegou a trabalhar ao lado de Fernando Henrique Cardoso.
No Chile, conheceu e se casou com uma parente do presidente Salvador Allende, a psicóloga e bailarina Sylvia Mônica Allende Ledezma. Com ela teve dois filhos: Verônica, 1969, e Luciano, 1973. Fez mestrado na Escola de Pós-Graduação em Economia da Universidade do Chile (Escolatina), concluído em 1972. Chegou a prestar assessoria ao governo de Allende por alguns meses.
Em setembro de 1973, quando o general Augusto Pinochet decretou golpe no país, Serra foi preso no aeroporto ao tentar sair com a família. Foi levado ao Estádio Nacional, onde presos políticos foram torturados e mortos — o major que o libertou foi fuzilado. Serra refugiou-se na embaixada da Itália. Ali foi exilado político por oito meses. Partiu depois para os Estados Unidos, onde fez seu segundo mestrado e doutorado em Ciências Econômicas, na Universidade de Cornell, concluído em 1976.
Após 14 anos exilado, em 1977 Serra voltou ao Brasil — antes mesmo de publicada a lei de anistia de 1979. Tentou ocupar cadeira como deputado no MDB, mas teve a candidatura impugnada. Serra foi admitido como professor de Economia da Unicamp, onde permaneceu até 1983. Em 1982, trabalhando como pesquisador no Cebrap, coordenou a elaboração do programa de governo do candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, Franco Montoro. Eleito, em 1983, Montoro entregou a Serra a Secretaria de Planejamento.
Em dezembro de 1984, Serra deixou a secretaria para integrar o grupo de economistas que elaboraram o programa econômico de Tancredo Neves, candidato à Presidência da República. Com a morte de Tancredo, Serra retornou à secretaria em São Paulo. Afastou-se no início de 1986 para se candidatar a deputado federal, então pelo PMDB. Foi eleito. Nessa época, ajudou a fundar o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em junho de 1988. Foi presidente da comissão executiva até 1991.
Foi reeleito deputado federal em 1990. Em 1991, foi convidado pelo presidente Fernando Collor a assumir o Ministério da Fazenda. Recusou e, em 1992, acabou votando a favor da abertura de processo de impeachment de Collor. Candidatou-se ao Senado em 1994 e foi eleito com 6,5 milhões de votos. Nessa época, o presidente eleito Fernando Henrique convidou Serra a assumir o Ministério do Planejamento. Ele aceitou. Em 1996, deixou a pasta e concorreu à Prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado por Celso Pitta. Retornou ao Senado, onde ficou por dois anos. De 1998 a 2002, assumiu o Ministério da Saúde.
Em 2002, disputou a Presidência da República. Foi derrotado por Lula, mas obteve mais de 33 milhões de votos no segundo turno (38,73%) — Lula alcançou quase 53 milhões de votos (61,27%). Em 2003, assumiu a presidência nacional do PSDB. Em 2004, disputou a Prefeitura de São Paulo e foi eleito. Ficou no cargo até 31 de março de 2006, quando concorreu ao governo de São Paulo. Foi eleito no primeiro turno.
Já no primeiro trimestre de governo, José Serra recebeu 39% de aprovação dos paulistas pelo Instituto Datafolha. Em 2007, Serra foi o terceiro governador mais bem avaliado do Brasil, com nota média 6,5 — ficou atrás de Aécio Neves (Minas Gerais) e Cid Gomes (Ceará). Em maio de 2009, o governo José Serra foi recebeu aprovação de 56%, segundo pesquisa Datafolha, atingindo média nacional de 6,7.

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