quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Diretor do HGU diz a CPI da Saúde que pode fechar as portas

O hospital Geral Universitário(HGU) poderá fechar as portas se a rede pública de saúde de Cuiabá não pagar uma dívida de mais de R$7,5 milhões acumulada desde janeiro de 2008. Durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI) da Saúde, o diretor geral do HGU, Vander Fernandes informou que o hospital pode parar com o atendimento ao Sistema Único de Saúde(SUS) não só por conta da divida ainda não paga pela Prefeitura de Cuiabá mas por estarem operando apenas com 50% da capacidade total de serviços de média e alta complexidade que são oferecidos na unidade, alguns existentes apenas no HGU. “Apesar da estrutura estar presente e termos condições de fazer cirurgias e exames de alta complexidade, a Secretaria Municipal de Cuiabá alega falta de recursos para compra dos serviços”, contou o diretor.

O presidente da CPI da Saúde, deputado Sergio Ricardo(PR) vem defendendo junto ao Governo do Estado a recontratuação do HGU e que a Prefeitura de Cuiabá priorize o HGU e o Hospital Universitário Julio Muller na contratação de serviços. “ Seria a medida mais correta para acabar com o sofrimento de tanta gente que vem morrendo a espera de atendimento médico”, disse.

Atualmente o HGU possui 212 leitos, sendo apenas 16 destinados para pacientes particulares. Todo o restante poderia ser ocupado pelos pacientes do SUS e desafogar assim a fila de espera para cirurgias e exames que hoje chega a 100 mil pacientes de Cuiabá e do interior de Mato Grosso. Ainda segundo Fernandes, a falta de uma gestão organizada da rede de saúde da capital dificulta entender porque faltam recursos se houve um aumento do teto de saúde repassado pela União de 4,7 milhões em 2005 para R$8 milhões em 2009.

Um dos problemas apontados pelo diretor do HGU durante seu depoimento com o presidente da CPI da Saúde, deputado estadual Sergio Ricardo(PR) é o percentual grande de contratação de serviços da rede não habilitada pela Prefeitura de Cuiabá. Ou seja, a regra oficial do Ministério da Saúde é que o gestor dê prioridade para contratar serviços primeiro nos hospitais públicos e em seguida nos hospitais filantrópicos. Se não houver serviços suficientes nesta rede é possível contratar a rede particular de hospitais e laboratórios. “ Quando você pulveriza a contratação em diversas instituições impede a reestruturação destas unidades e aí as públicas e filantrópicas não sobrevivem pois não vamos conseguir investir se apesar de ter alta demanda e ter os serviços, o gestor não os contrata. Por isso vamos ter que fechar as portas assim como já ocorreu com outros hospitais aqui em Cuiabá”, conclui.

Ao comentar sobre um dos objetivos da CPI da Saúde de acabar com as filas de espera para cirurgias e exames, o diretor do UGH garantiu ao presidente da CPI, deputado Sergio Ricardo que é possível reduzir consideravelmente as filas para cirurgias; oftalmológicas, cardíaca, neurológicas, eletivas e ortopédicas. “ Garanto que apenas no HGU podemos nos comprometer em fazer estas cirurgias desde que devidamente acordado com Estado e municípios mas é preciso envolver todos os prestadores autorizados na rede de saúde da capital “, afirmou.

O Documento

Selzy Quinta.

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