Angela Jordão - Diário de Cuiabá
Mato Grosso perdeu um mito da política regional: Nhonhô Tamarineiro, o último “coronel” de Mato Grosso. Osvaldo Botelho de Campos, o Nhonhô Tamarineiro, faleceu ontem, em Cuiabá, as vésperas de completar 90 anos (que ele faria no dia 5 de março). Mesmo sem nunca ter exercido um mandato político, ele foi um dos grandes articuladores da política mato-grossense, entre os anos de 1950 a 1980.
Nhonhô Tamarineiro era conhecido como coronel, mas um “coronel do bem”, ressalta seu filho, Nereu Botelho, ex-prefeito de Várzea Grande. Nhonhô nunca concorreu em eleições ou cargos políticos, mas foi um sábio articulador político e responsável pelo surgimento de lideranças em Mato Grosso. Um dos palcos de suas histórias foi a cidade de Nossa Senhora do Livramento, especificamente o bolixo Tamarineiro.
Osvaldo Botelho de Campos foi um dos fundadores da UDN em Mato Grosso, em 1945, juntamente com Nunes Rocha, Garcia Neto, Fernando Corrêa e outros nomes de destaque na política regional. Ao longo de sua vida política protagonizou os grandes embates travados entre UDN, PSD e PTB.
Nhonhô tinha a força de transferir votos para todos aqueles que apoiava. Seu sobrinho, Nelson Ramos, foi deputado estadual por quatro mandatos, de 63 a 79. Na prefeitura de Nossa Senhora do Livramento, dizem que ele colocava quem bem entendesse. Seu irmão Gonçalo Botelho de Campos foi prefeito de Várzea Grande e deputado estadual por duas legislaturas, de 51 a 59. E o filho, Nereu Botelho, elegeu-se prefeito de Várzea Grande e deputado estadual.
“Meu pai apoiava os amigos. Nunca foi candidato, porque não quis, mas sempre deu apoio aos amigos. Dava conselhos, orientava, até o fim de sua vida”, explica Nereu Botelho. O filho conta que o pai militou na política até 1982, quando, oficialmente disse estar passando seu legado para o filho Nereu, que concorreu pela primeira vez a prefeito de Nossa Senhora do Livramento.
Ontem, lideranças políticas de diferentes correntes compareceram ao velório e exaltaram as qualidades de Nhonhô. Entre eles, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Branco de Barros, para quem a perda foi irreparável. Nhonhô Tamarineiro era padrinho de batismo de Branco de Barros. “Ele sempre soube orientar a todos. Era nosso conselheiro quando tínhamos dúvidas ou dificuldades. Sempre ouvi seus conselhos, até mesmo quando já atuava no TCE”, explica Branco de Barros.
A deputada federal (PSDB) Thelma de Oliveira lembrou que Osvaldo Botelho de Campos não foi apenas uma liderança, mas foi um formador de lideranças. “Ele e sua família trabalharam muito pelo crescimento de Mato Grosso, não só como político, mas também como empresário. Seus filhos continuaram a seguir seu legado”.
Para o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB), Nhonhô Tamarineiro foi um exemplo de liderança por sua coerência política. “Ele sempre militou em um mesmo partido. Foi um político que norteou seus ideais com coerência, deixando uma grande lição de liderança”.
24 Horas News
Selzy Quinta
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