sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Maggi usa 743 Km para tentar reaglutinar aliados para 2010

Rubens de Souza - 24 Horas News

Animado, trajando uma camiseta branca por cima de uma camisa branca para mostrar que a poeira acabou e dirigindo o carro oficial do Estado, o governador Blairo Maggi deixou Cuiabá com destino a Juina, no Noroeste do Estado, levando consigo, no banco passageiro, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Riva (PP), e no de trás, o vice-governador Silval Barbosa (PMDB) e a primeira-dama Terezinha Maggi. Quebrou o protocolo elementar da segurança – que manda jamais colocar sob o mesmo veículo o governador e o vice. Desta vez, o governador, o vice e o presidente da AL, isto é, quase toda a linha sucessória do Estado.

Sinal mais evidente não poderia ter sido dado. Os quilômetros a frente, entre apreciar a paisagem e discutir o desenvolvimento do Estado, o governador iria usar todo o tempo disponível para tratar de algo que o está incomodando por demais: a reaglutinação da aliança eleitoral para 2010. José Riva foi escolhido a dedo. Afinal, é com ele que o senador Jayme Campos, dos Democratas, sustenta o desejo de retornar ao Governo do Estado, disputando a eleição de 2010, para a qual o PalácioPaiaguás tem um projeto, com Silval Barbosa.

Pouco mais de 350  quilômetros, a comitiva parou para o almoço, em Campo Novo dos Parecis, cidade plantada no meio do agronegócio. Do que foi conversado nesse trecho, nem um palavra sequer. Pelo menos para o público externo. Mas dá para deduzir claramente que o “fechamento” dos objetivos do governador vão se dar nos próximos 360, 370 quilômetros que vão percorrer daqui para frente. No banco de passageiro, no lugar de José Riva, entrou o próprio: Jayme Veríssimo de Campos.

Ao anunciar que arquivaria o projeto de “férias políticas”, o governador Maggi deixou claro que reassumiria o posto de candidato ao Senado Federal com o objetivo claro de reunir as forças que o elegeram por duas ocasiões. Nesse caso, o DEM e o PP, partidos de Jayme e Riva, respectivamente. As duas siglas, embora façam parte da base de sustentação do Governo, ocupando inclusive vários cargos públicos, firmaram um acordo para caminhar juntos em 2010.

O PP, no entanto, condiciona o acordo à candidatura de Jayme Campos ao Governo, de preferência na base aliada. Campos, por sua vez, firmou acordo com o PSDB, partido de oposição. No entendimento decidiram elaborar uma pesquisa eleitoral no ano que vem para saber qual nome apresenta melhor desempenho eleitoral, a chamada densidade de votos, se Jayme ou Wilson Santos. Caso Wilson ganhe a condição de candidato, o PP se sente desobrigado a apoiar o aliança DEM-PSDB. Nesse caso, os progressistas fechariam com PR-PT-PMDB,com a possibilidade de indicar o candidato a vice.

Acredita-se, contudo, que menos de 400 quilômetros, a uma boa velocidade, não sejam suficientes para Maggi convencer Jayme Campos que seu lugar é na aliança governista – mesmo com o acordo nacional entre PSDB e DEM. Em todas as ocasiões que discutiu a questão, Campos demonstrou muita, mas muita mágoa política com o governador. Já chegou a decretar: “Com a turma da botina “tô” fora”. As relações Jayme e Maggi estavam até aqui estremecidas. Mais: os dois quase rompidos.

A seu favor, por outro lado, Maggi conta com o apoio da bancada democrata na Assembléia Legislativa. Os parlamentares têm sido resistentes à postura do senador licenciado, que já chegou a pedir que todos entregassem os cargos que indicaram. Jayme não foi ouvido e decidiu esperar. Agora, nessa viagem, pode ser que aponte o DEM para outro caminho. É esperar os próximos quilômetros serem cumpridos. Sem poeira.

Comentários:

Dari Shola - 23/10/2009

A política deste Estado dá nojo. Blairo, que morre de medo de perder eleição, ficas flertando com Riva e Jaime Campos para assegurar a eleição ao senado. Esse fazendeiro não não passa de um fantoche político.

Selzy Quinta

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