Dirigente do PMDB Carlos Bezerra alfineta o governador Blairo Maggi, enquanto o vice-governador contemporiza queixas
Governador Blairo Maggi (PR) e o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB): pouca afinidade nos encaminhamentos políticos
SONIA FIORI
Apesar do esforço da cúpula do PMDB para demonstrar que não existe mágoa com o governador Blairo Maggi (PR) sobre um acordo feito durante a campanha de 2006, declaração do presidente estadual do partido, Carlos Bezerra, revela um evidente descontentamento sobre a posição do republicano. Ao analisar promessa que teria sido feita pelo chefe do Executivo estadual de deixar o comando do governo para ceder espaço para o vice-governador Silval Barbosa, Bezerra disse que “o governador fala uma coisa de manhã, a tarde muda e a noite é outra”.
Diante do apoio do governador para a candidatura de Silval, a cúpula do PMDB prefere maquiar o mal estar vivido principalmente durante o primeiro ano do segundo mandato de Maggi. No período, a direção da sigla ameaçou romper com a administração estadual por entender que o governador não contemplou “como deveria” o PMDB. Diante da insatisfação, nem mesmo a notícia de que o governador fará mais três viagens internacionais até o fim deste ano promove esperanças na sigla.
“Eu já disse no partido para esquecer isso. Também tem algumas pessoas que querem cargos. Mas não participamos até agora então deixa para lá. O PMDB nunca participou, só tem o vice-governador no governo”, disparou o cacique peemedebista. Um dos mais conhecidos caciques da política mato-grossense, Bezerra prefere atenuar os dissabores do passado com a perspectiva de que o partido possa colher bons frutos com o respaldo de Maggi à candidatura de Silval.
No entanto, ele avisa que o projeto da legenda de conquistar o comando do Palácio Paiaguás não depende do apoio do PR ou ainda de Maggi. De acordo com ele, o respaldo republicano não é fator condicionador da majoritária. “Acho que agora o governador está dando apoio para o Silval e tem falado isso publicamente, então acho que não vai voltar atrás. Mas não dependemos disso para manter o projeto próprio. O Silval é o candidato do PMDB”, frisou.
Segundo o dirigente partidário, a legenda está preparada para assegurar a construção de uma chapa majoritária forte do ponto de vista das composições. Ele acredita que o nome do vice-governador é capaz de aglutinar apoio suficiente para reeditar o arco de alianças que reelegeu Maggi para o segundo mandato. Citou ainda o Partido dos Trabalhadores como possível aliado para as eleições do próximo ano.
Silval Barbosa por sua vez prefere assegurar que desconhece o acordo que teria sido feito entre Maggi e o PMDB com o objetivo de abrir espaço no governo. O vice-governador costumeiramente sustenta que nunca conversou sobre isso com o governador. Ele também ressalta que cabe ao chefe do Executivo estadual decidir sobre o assunto. Entretanto, os afastamentos temporários de Maggi do Palácio Paiaguás colaboram para projeção em maiores proporções da imagem de Silval entre os eleitores de Mato Grosso.
Diário de Cuiabá
Selzy Quinta
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