O recesso parlamentar iniciado na sexta-feira que passou, não há como negar, proporciona um “alívio” aos “nobres” integrantes da Câmara Municipal de Cuiabá, posto que, durante um mês, eles estarão “livres” de dar a resposta que a sociedade tanto espera e que possa explicar o processo de completa desmoralização da Casa.
A folga regimental dá, até mesmo, uma sobrevida ao vereador Ralf Leite (PRTB), ícone dos variados escândalos que desgastam a imagem do Legislativo e que, diante da incompetência do corpo jurídico da Casa, insiste em insultar a inteligência dos cidadãos cuiabanos. É inconcebível essa maneira de se fazer política rasteira, nojenta e irresponsável.
Esse hiato, no entanto, não camufla a gravidade de outro fato que atenta contra a moral e os bons costumes: a acusação formal da Polícia Civil contra o ex-presidente, vereador Lutero Ponce (PMDB), de comandar uma quadrilha, cuja especialidade era, nada mais, nada menos, do que se aproveitar do poder de gerir as contas públicas e desviar o dinheiro do contribuinte.
Com efeito, o recesso legislativo, certamente, não impedirá que a Polícia Fazendária dê seguimento normal às investigações que apuram denúncias de malversação de dinheiro. Na verdade, que confirme, por meio de novos depoimentos, o relatório final divulgado na semana passada e que acusa Lutero de se apropriar indevidamente de, pelo menos, R$ 7,5 milhões. Decerto, também não evitará que a Justiça aprecie o relatório em tempo hábil e o encaminhe ao Ministério Público para o oferecimento de denúncias contra os acusados.
A impressão que passa, diante do relatório divulgado pela Polícia, é de que a Câmara cuiabana foi alvo de uma quadrilha especializada. Basta atentar para o inusitado das revelações policiais: as fraudes em licitações realizadas pela Câmara, durante a gestão de Lutero Ponce, no período de 2006 a 2007, eram articuladas em um escritório que funcionava como uma espécie de "laboratório do crime".
Empresas eram criadas e manipuladas, com o fim único de participar – e vencer – licitações. Na maioria dos casos, elas não existiam de fato, mas somente no papel. No esquema, segundo a Polícia, eram montados os processos fraudulentos, por meio de documentos falsos; bem como era feito um “ajuste”, pelo qual 90% do valor teriam que ser devolvido ao Legislativo e 10%, entregues em materiais.
Até aqui, a Polícia Fazendária tem feito um belíssimo trabalho. As evidências dos crimes contra os acusados são claras. Parece não haver dúvida de que a conclusão imperativa é de que contra fatos não há argumentos. A máxima, como se vê, se aplica muitíssimo bem ao vereador Lutero Ponce de Arruda e seu bando.
“A impressão que passa é de que a Câmara cuiabana foi alvo de uma quadrilha especializada”
Selzy Quinta
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