domingo, 19 de julho de 2009

Esquema de Lutero é grande

Rosângela Mendes - Reportagem Local - Folha do Estado

Divulgação

A Delegacia Fazendária desvendou o funcionamento do esquema fraudulento que lesou em mais de R$ 7,5 milhões a Câmara de Vereadores de Cuiabá na gestão do ex-presidente vereador Lutero Ponce (PMDB) e revelou, ontem, em entrevista coletiva, que Lutero mantinha um verdadeiro “laboratório do crime” a seu serviço, no período de 2007/2008. A quadrilha composta por cerca de 12 pessoas tinha um escritório próprio, o “Almeida Andrade”, na rua Cursino Amarante, nº 190, onde eram criadas as “empresas fantasmas” e onde funcionários da Câmara manipulavam e criavam firmas de vários segmentos comerciais, para, em seguida, contratá-las como fornecedoras da Câmara de Cuiabá.

A quadrilha atuava de forma fechada para que somente suas empresas vencessem as licitações e certames da Câmara Municipal com a finalidade de desviar dinheiro público.

No escritório funcionava a empresa Atos, Consultoria e Advocacia, de propriedade dos ex-servidores do Legislativo, Marcus Davi e Hélio Hudson, segundo a polícia.

De acordo com a delegada titular do caso, Luzia Machado, Lutero é citado como o “cabeça” de todo esse esquema, por ser, na época, o ordenador de despesas da Câmara. O grupo fraudulento teve também como principais articuladores o analista e avaliador de procedimentos licitatórios que trabalhava na Câmara Municipal, Hélio Hudson de Oliveira Ramos e Marcos Davi de Andrade, que também era analista contábil da Câmara.

Os dois eram responsáveis pelo escritório de empresas fantasmas e articulavam as empresas que iriam participar e vencer as licitações junto à Câmara.

Hudson aprovava as empresas fantasmas e irregulares que seriam contratadas para o esquema de desvio de dinheiro indicadas por seu colega de “bando” Davi, que era responsável pela abertura das empresas.

Dos valores pagos dos supostos produtos e serviços vendidos das empresas, 90% eram entregues ao empresário Ítalo Griggi Filho, que devolvia a “alguém” da Câmara.

Dois funcionários do escritório figuravam como proprietários de duas das empresas, a Padilha e Jones Teixeira que eram fantasmas, uma vez que não possuíam sede própria, nunca deram entrada e nem venderam nenhum produto, mas, inexplicavelmente somente a Jones Teixeira venceu quase R$ 1 milhão em licitações.

Selzy Quinta

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