SONIA FIORI Da Reportagem - Diário de Cuiabá
Ex-governador Dante de Oliveira ao lado de Júlio Campos: nem pareciam adversários ferrenhos
Um verdadeiro caixeiro-viajante, um político visionário, um vendedor do Estado e, por fim, um amigo. Essa é a síntese da descrição do ex-governador Dante Martins de Oliveira (PSDB) feita por aquele que talvez tenha sido seu maior adversário político, o também ex-governador de Mato Grosso Júlio Campos (DEM). No aniversário de terceiro ano de morte do ex-gestor estadual tucano, nesta segunda-feira, o democrata expõe um cenário dificilmente verificado no campo dos entraves políticos.
Reconhecendo a liderança e importância da história de Dante de Oliveira para o Estado e também para o país, Júlio Campos pontua sua admiração pelo adversário político. Dante teve sua história marcada a partir da apresentação, em 1983, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de número 5 que propunha eleição direta para a presidência da República, conhecida por Emenda das Diretas-já.
Júlio fez vários enfrentamentos políticos contra Dante e seu grupo. A última nas eleições de 1998, quando o então governador tucano foi reeleito para mais um mandato. No entanto, diferente do que se possa imaginar, ambos cultivavam um relacionamento muito próximo.
Os laços de respeito e de sintonia podiam ser destacados em situações corriqueiras no âmbito dos mandatos eletivos. Então senador do Estado durante o primeiro mandato do tucano, Júlio Campos ressalta que costumeiramente, cedia seu gabinete, em Brasília, para reuniões da bancada mato-grossense com o então governador Dante de Oliveira. “O Dante sempre fez de meu gabinete seu ponto de reunião com a bancada. Nunca deixamos o campo da política interferir no pessoal”, lembrou o democrata.
O ex-governador democrata ressalta em sua análise a perda sofrida para Mato Grosso com a prematura morte do ex-gestor. “Foi uma perda para o Estado. Sentimos também porque isso aconteceu justamente num período de eleições, quando tenho certeza de que Dante seria eleito para deputado federal”, disse. No período, a candidatura do ex-governador Dante foi assumida pela viúva, hoje deputada federal Thelma de Oliveira.
Na avaliação de Júlio, Dante foi pego de surpresa com o resultado do pleito de 2002, quando pleiteou vaga ao Senado. Na ocasião, o PSDB apostou as cartas na candidatura ao governo do então senador Antero Paes de Barros. Júlio lembra que a vitória e a derrota fazem parte da vida de um político. No entanto, lamenta que Dante de Oliveira não tenha tido a chance de recuperar seu lugar diante do quadro político do Estado.
A relação de proximidade entre o ex-governador com o DEM também podia ser confirmada por meio do estreito relacionamento dele com o então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e hoje presidente do DEM, Oscar Ribeiro. Segundo Júlio Campos, Dante costumava consultar Oscar sobre ações políticas e de governo. O ex-gestor democrata acrescenta ainda que o DEM, então PFL, sempre atuou no sentido de colaborar com as ações que visavam ao desenvolvimento de Mato Grosso.
“Lamento profundamente a perda de alguém que consolidou mudanças fundamentais para o Estado. O falecimento prematuro nos tirou um de nossos maiores ícones da política mato-grossense e também do país, que reconhecidamente assegurou o desenvolvimento econômico do Estado”, disse.
Selzy Quinta
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