sexta-feira, 17 de julho de 2009

Concluído inquérito com 19 indiciados Além do vereador Lutero Lopes, sua esposa Ana Maria Alves Neves responderá por formação de quadrilha e peculato

RAFAEL COSTA - DC

Sol Manzutti/DC

Delegados fazendários concederam entrevista coletiva para apresentar a conclusão do inquérito da operação Crepúsculo

A Delegacia Fazendária concluiu ontem o inquérito que aponta desvio de R$ 7,5 milhões dos cofres da Câmara Municipal de Cuiabá na gestão do vereador Lutero Ponce (PMDB) no biênio 2007/2008.
O parlamentar é o único na relação dos 12 acusados que responderá pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, falsificação de documentos públicos, falsificação de documentos particulares e falsidade ideológica.
Há ainda sete empresários que responderão pelos crimes de fraude em licitação. Os delegados optaram em não revelar os nomes alegando que não há uma relação direta com a quadrilha responsável pelas fraudes em licitação.
“Detectamos que há uma fraude muito maior que envolve apropriação de altas somas do dinheiro público. Aqueles que não têm participação direta com a quadrilha resolvemos separar porque não são casos graves”, afirmou a delegada Maria Alice Amorim.
O inquérito está previsto para ser enviado nas próximas horas ao Ministério Público Estadual (MPE). O promotor de Justiça Célio Furio, responsável pela Defesa do Patrimônio Público, já solicitou cópias do para formular a denúncia à Justiça.
Já Ana Maria Alves Neves, esposa do parlamentar, responderá por formação de quadrilha e peculato. Ela teria solicitado à proprietária da empresa Bela Flor Ltda. notas fiscais em branco que foram indevidamente preenchidas para justificar uma ‘aquisição’ direta no valor de R$ 18 mil.
Da relação dos indiciados cinco estão com mandados de prisão revogados. Dois empresários foram presos no dia em que foi deflagrada a Operação Crepúsculo, mas logo depois liberados sob a alegação de que contribuíram para as investigações. A Justiça decretou a prisão de 11 pessoas, no entanto seis são consideradas foragidas.
APREENSÃO – Um cheque apreendido na casa do vereador Lutero Ponce comprova, segundo a Polícia Civil, que o parlamentar tinha conhecimento do envolvimento da sua gestão com empresas acusadas de participação nas licitações fraudulentas.
O cheque de R$ 7.220 foi emitido no nome da empresa Bela Flor Ltda., a mesma que atendendo à solicitação da sua esposa Ana Maria Alves Neves emprestou quatro notas fiscais em branco.
“Com as buscas tivemos acesso a novas provas, o que confirmou o envolvimento de todos os acusados no esquema de fraude em licitação”, afirmou o delegado Rogério Modelli. Anteriormente, Lutero Ponce negou qualquer envolvimento com as empresas.
A delegada Maria Alice Amorim também destacou que as provas colhidas são fortes e comprovam as irregularidades. “Está claro que o foco das licitações não era o objeto das compras, mas oferecer a maior probabilidade de fraude”.

Selzy Quinta

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