Carlos Eduardo Lemos-Redação 24 Horas News
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, disse ser provável que Mato Grosso seja o próximo alvo do embargo da carne produzida no bioma amazônico, a exemplo do que aconteceu com o Estado do Pará. “Estamos no foco dos ataques devido ao nosso potencial e é justamente por essa importância que não aceitamos essa interpretação equivocada das leis ambientais” – ele disse. Na quinta-feira, a entidade definiu uma série de ações para evitar as medidas restritivas. Hoje, mais de 600 propriedades estão embargadas em Mato Grosso por causa de questões ambientais.
Prado salienta que cumprir a legislação ambiental brasileira se tornou impossível, que existem 16 mil normativas (em nível federal, estadual e municipal). "É difícil até conhecer toda essa legislação, imagina cumprir. Nós queremos que o Congresso se conscientize e faça uma lei exeqüível”. Ele foi mais longe: “Se a legislação é a mesma para todos os estados da federação, por que então Mato Grosso é tratado de forma diferenciada? A lei deve valer para todos” – ele ponderou.
Estudos do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) mostram que quase 70% do rebanho estadual está concentrado em municípios localizados no bioma amazônico, e totaliza cerca de 18 milhões de cabeças. Nesta região, no norte e nordeste do Estado, estão situadas ainda 29 indústrias frigoríficas que juntas têm capacidade para abater 24 mil cabeças por dia.
Presidentes, representantes de sindicatos rurais e pecuaristas que participaram do encontro expuseram suas angústias e os prejuízos que já estão tendo devido ao boicote de alguns frigoríficos que acataram a sugestão de organizações não-governamentais de não adquirir animais do bioma amazônico.
“Este é o início do processo de reação de um setor que está sendo penalizado injustamente com embargos e punições”, disse Orivaldo Bezerra, pecuarista e presidente do Sindicato Rural de Juara.
“A região Amazônica, especialmente Mato Grosso, com o maior rebanho bovino do país, sofre discriminação”, disse o deputado federal Homero Pereira, membro da bancada ruralista da Câmara. Ele informou que para tentar solucionar a problemática do embargo da carne em Mato Grosso, a diretoria da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o encontro deve ocorrer na semana que vem.
Independente deste encontro, o setor decidiu desencadear uma série de ações com o objetivo de reverter a atual situação. Uma delas será proporr ações judiciais contra as instituições “que fazem o embargo irresponsável do CPF dos produtores”, quando a medida legal seria o embargo da área em foco. De acordo com nota extraída ao final do encontro, até o dia 16 de julho Mato Grosso tinha 610 áreas embargadas pelo Ibama, o que representa 0,2% do número de propriedades estaduais. Somadas as áreas embargadas, o estado possui 240 mil hectares barrados, destes, 49 mil hectares são de responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Selzy Quinta
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