Fonte: Diário de Cuiabá - Francis Amorim
As atividades garimpeiras e o plantio desordenado de lavouras estão comprometendo a sobrevivência do rio Garças, um dos principais afluentes do rio Araguaia, região leste de Mato Grosso. Os danos ambientais são visíveis neste período de estiagem, apontando um fim melancólico para o rio que dá origem ao nome de Barra do Garças. O assoreamento avança com a formação de enormes bancos de areias e obstrução do seu canal natural.
A degradação começa na nascente, localizada em Alto Garças, na região sul do Estado ao longo de sua extensão, nos municípios de Tesouro, General Carneiro, Pontal do Araguaia e Barra do Garças. O desmatamento das matas ciliares para dar lugar às lavouras, combinado com a extração ilegal de diamantes, vem colaborando para esse fim.
Estudos apontam que, durante o período chuvoso, milhões de metros cúbicos de sedimentos são jogados no rio Garças, causando redução da profundidade na estiagem (identificado como assoreamento) e acelerando o processo de degradação que poderá levá-lo a morte. O uso de técnicas agrícolas inadequadas também vem contribuindo para essa realidade.
Quem cruza diariamente pelas passarelas da ponte do rio Garças vem acompanhando com tristeza o que está ocorrendo. “É lamentável, mas é uma realidade. Daqui a 20 anos o rio pode não mais existir. Tudo está caminhando para que isso ocorra”, alertou Daniel Alves, morador de Pontal do Araguaia. Segundo ele, é preciso que o governo do Estado faça alguma coisa com rapidez para evitar um grande desastre ambiental.
“O rio já não possui mais canal natural. Do alto da passarela da ponte se vê que a areia está cobrindo todo o leito. Ela se movimenta com rapidez criando essas pequenas praias cobertas por filete d’água. É triste acompanhar o desaparecimento natural de um rio que separa e embeleza as cidades de Barra e Pontal. O Garças agoniza diante de nossos olhos. Cadê os ecologistas?”, indagou um morador de Barra do Garças que preferiu não ser identificado.
DRAGAGEM - O diretor regional da Unidade Desconcentrada da Secretaria de Estado do Meio Ambiente em Barra do Garças (Sema), Cleber Fabiano Ferreira, reconhece os danos ao rio Garças. Ele aponta que a dragagem é a única solução para amenizar as consequências.
Cleber Fabiano pretende se reunir com o ambientalista Ciro Gomes de Freitas, representante do Comitê da Bacia Araguaia-Tocantins, e sugerir a apresentação de uma proposta junto à Agência Nacional das Águas, para a realização de ações que possam reduzir a degradação do rio. “Ações concretas e dragagem são algumas soluções. Algo semelhante foi feito no rio Grande, na divisa de São Paulo e Minas Gerais. A situação era idêntica ao rio Garças e hoje o rio está revitalizado”, disse.
O diretor da Sema apontou o plantio desordenado de lavouras e atividades garimpeiras como responsáveis pelos danos que vêm ocorrendo no rio. “Tudo foi devastado para o plantio. As consequências são gravíssimas. Esse é o retrato que estamos acompanhando hoje”.
Cleber Fabiano relatou que durante as ações de combate aos crimes ambientais no rio Garças, os fiscais da Sema são obrigados a descer do barco em determinados pontos porque já não existem mais condições para a navegação. “Infelizmente, essa é a realidade”, definiu.
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