Relatório da Auditoria Geral do Estado apontou suposta irregularidade na aquisição de maquinários, cujas informações foram encaminhadas aos órgãos competentes
Máquinas distribuídas entre os municípios em fevereiro passado é alvo de suspeitas de superfaturamento
ANA ROSA FAGUNDES-DC
O Ministério Público Estadual (MPE) requisitou a instauração de inquérito policial para apurar denúncias de superfaturamento na compra de 705 máquinas entregues pelo governo do Estado aos 141 municípios de Mato Grosso em fevereiro passado.
O pedido de instauração de inquérito do MPE é baseado em relatório elaborado pela Auditoria Geral do Estado. Os equipamentos foram adquiridos pelo valor de R$ 241 milhões, recursos obtidos por meio de financiamento do BNDES, com a participação do Banco do Brasil.
Segundo o Ministério Público Estadual, nos cálculos efetuados por auditores estaduais R$ 26,5 milhões foram pagos indevidamente aos vencedores da licitação. Esse dinheiro é a diferença ente o preço à vista e o preço a prazo da compra, que teria sido pago de forma irregular.
A entrega dos caminhões e retroescavadeiras foi realizada em fevereiro deste ano, antes do então governador Blairo Maggi (PR) pedir exoneração para ser candidato ao Senado e também abrir espaço para Silval Barbosa (PMDB) assumir o governo.
De acordo com nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do Estado, foi o próprio governo quem encaminhou a denúncia para conhecimento e providência do MPE, no dia 16 de abril.
Segundo a nota, assim que Blairo Maggi ficou sabendo da suposta irregularidade determinou que a Auditoria Geral do Estado fizesse uma apuração sobre a aquisição dos equipamentos. De posse de relatório preliminar, determinou que cópia dos autos para as secretarias de Fazenda, Infraestrutura e Administração e Procuradoria Geral para que tomassem as providencias a respeito do valor pago na aquisição e abertura de processo administrativo para apurar as eventuais responsibilidades.
No dia 16 de abril, Silval Barbosa, já como governador, pediu que os procedimentos administrativos fossem encaminhados ao Ministério público. O secretário-chefe da Casa Civil, Éder Moraes, relatou ontem à imprensa que ainda na gestão Maggi haviam sido tomadas providências. Lembrou ainda que aguardam a defesa das empresas. Ele espera que a questão seja resolvida por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
Segundo informações da 14ª Promotoria Criminal, o inquérito policial servirá para apurar se houve qualquer beneficiamento a empresas em troca de propina aos servidores responsáveis pela realização das licitações.
O inquérito também vai apurar o fato de não ter sido descontado o valor referente ao Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), conforme previsto no regulamento que dispõe sobre o assunto, no valor de 10,8 milhões. Investiga-se também a divisão do referido pregão em quatro lotes com o mesmo item e quantidade, sem comprovação de que o fracionamento era vantajoso para administração pública. Segundo o governo, desse valor caracterizado como sobrepreço, R$ 6 milhões já foram recolhidos aos cofres estaduais.

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