24 Horas News
Os índios Kayapó Metuktire, da aldeia Piaraçu,do Parque Nacional do Xingu mantém desde sexta-feira, dia 23, o bloqueio da BR-080, em Mato Grosso, em protesto a decisão do Governo Federal em construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. A rodovia inicia-se nos limites do Parque Indígena do Xingu, próximo à TI Capoto-Jarina, e corta a BR-163 e a BR-158. Os indos paralisaram o serviço de balsa e os prejuízos começam a ser contabilizados pela empresas que utilizam as rodovias. A travessia do rio é a principal ligação do Vale do Araguaia com o Nortão de Mato Grosso e o Pará.
Nesta segunda-feira, os índios divulgaram comunicado no qual reafirmam sua intenção de resistir à construção da hidrelétrica. Os grupos que serão direta ou indiretamente afetados pelo empreendimento estão tomando iniciativas para impedir a obra e mandam recado contundente ao presidente Lula, chamado por eles de “inimigo número um”. A nota é assinada pelo lider indigena Megaron Txukarramãe.
“Enquanto Luiz Inacio Lula da Silva insistir de construir a barragem de Belo Monte nós vamos continuar aqui. Nós ficamos com raiva de ouvir Lula falar que vai construir Belo Monte de qualquer jeito, nem que seja pela força!!! Agora Nos indios e o povo que votamos em Lula estamos sabendo quem essa pessoa. Nós não somos bandidos, nós não somos traficantes para sermos tratados assim, o que nós queremos é a não construção da barragem de Belo Monte” – diz a nota.
Megaron explica que os índios não tem armas para enfrentar a força e diz que “se Lula fizer isso ele quer acabar com nós como vem demonstrando, mas o mundo inteiro vai poder saber que nós podemos morrer, mais lutando pelo nosso direito”. A nota ainda acusa Marcio Meira, atual Presidente da Funai, de estar demonstrando “ser segunda pessoa no Brasil contra os indios, pois, a Funai não tem tratado mais assuntos indigenas, não demarcação de terra indigena mais, não tem fiscalização de terra indigena mais, não tem aviventação em terra indígena”.
Desde quinta-feira, nenhum veículo entra na balsa, que serve de extensão da rodovia BR-080, a 40 quilômetros de São José do Xingu. A balsa suporta quatro carretas por viagem. Na quinta-feira, já estavam parados caminhões de gado com destino a Colíder. Frigoríficos como Guaporé Carnes, em Colíder, e Frialto, em Matupá, já começam a contabilizar os prejuízos. Na Frialto, a previsão é de que só haverá gado para abate até hoje, operando com 50% da capacidade. Lá, 800 cabeças são abatidas por dia. Na quinta-feira, cinco caminhões do grupo chegaram até o ponto de interdição e tiveram de retornar às fazendas em São José do Xingu. Os prejuízos da empresa devem girar em torno de R$ 400 mil. Já na Guaporé Carnes, o comprometimento pode ser de dois por cento da produção.
O consórcio de 11 municípios que direta ou indiretamente serão atingidos pela usina de Belo Monte está insatisfeito com os programas do governo federal para reduzir os impactos ambientais e sociais da obra na região do Xingu. Em carta ao Governo, os prefeitos afirmam que o projeto está muito aquém das necessidades básicas da região e acrescentam uma informação preocupante: antes mesmo do início da obra a migração de brasileiros de outras regiões para o Xingu começa a inchar cidades como Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Anapu
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