quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sarney se nega a abrir sessão para criar CPMI

Brasília – A proposta de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Campo enfrentou ontem novo tropeço. Desta vez, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu não abrir uma sessão do Congresso apenas para a leitura do requerimento de criação da comissão. Para ele, só haverá sessão quando os líderes partidários se reunirem para discutir uma pauta conjunta.

A comissão foi proposta pelos deputados Ronaldo Caiado (DEM) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), com o propósito de investigar supostos repasses ilegais de verba do governo federal para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outras organizações ligadas à reforma agrária. Como se trata de uma comissão mista, o pedido pode ser lido apenas em sessão conjunta das duas Casas.

Segundo Sarney, não é comum reunir o Congresso só para a leitura de pedido de criação de CPMI. Seria necessária uma pauta mais ampla para ser debatida. “É preciso que as lideranças do Congresso entrem em contato com o presidente da Câmara para termos o plenário livre e realizarmos a sessão do Congresso”, disse.

O MST criticou ontem a pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que afirma, entre outros pontos, que 72% dos assentamentos do País não produzem o suficiente para gerar renda. “Uma pesquisa feita em apenas nove assentamentos é tão tabajara e ridícula que não tem relevância alguma. Estranhamos que o Ibope se preste a esse tipo de trabalho apenas para atender a vontade dos latifundiários”, disse João Paulo Rodrigues, coordenador do MST. (AE e Folhapress)

Selzy Quinta

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