terça-feira, 27 de outubro de 2009

Samu roda 2 horas com pacientes; hospitais rejeitam

Prefeitura não colabora e doente fica mais tempo em ambulância
Pedro Alves

Samu encontra dificuldades para encaminhar pacientes resgatados: falta hospital de referência

  • ANTONIELLE COSTA
    Desde o início da crise que se estabeleceu na Saúde Pública de Cuiabá, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tem encontrado dificuldades para encaminhar os pacientes resgatados, por não ter um unidade hospitalar de referência. A crise começou no início de setembro, com a paralisação dos médicos; logo depois, vieram as demissões e, em seguida, o fechamento do Pronto-Socorro Municipal, para obras reforma.

    Em entrevista ao MidiaNews, o diretor-geral do Samu, Daoud Abdallah, explicou a real situação em que se encontra o serviço. Segundo ele, a situação se agravou com as obras  reforma do Pronto-Socorro, uma vez que a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Saúde, não apresentou um plano de atendimento adequado.

    Dessa forma, a diretoria do Samu sempre buscava informações para verificar se havia médicos atendendo na unidade via telefone e, logo depois, a prefeitura passou a encaminhar um fluxograma ao órgão.

    Os documentos encaminhados pela administração municipal informam que, quando não há médicos atendendo no Box de Emergência, os pacientes de urgência e emergência devem ser encaminhados para as policlínicas, ou para o Pronto-Socorro de Várzea Grande, que, por sua vez, tem arcado com o problema.

    "Existem casos de menos complexidade que encaminhamos para as policlínicas, mas não são recebidos e, ao final, temos que reencaminhar para Várzea Grande. É uma situação complicada, pois nossa equipe chega a passar mais de duas horas rodando a cidade, à procura de uma unidade para atender o paciente. E isso, obviamente, inviabiliza outros atendimentos por parte do Samu", explicou Abdallah.

    Ele informou, ainda, que o Samu tem prestado atendimento dentro do prazo resposta, que é de 10 minutos, mas, em função do não atendimento nas unidades de Cuiabá, o paciente tem ficado mais tempo nas ambulâncias. Nestes casos, o responsável pela unidade móvel tem registrado um Boletim de Ocorrência (BO), na Polícia, para resguardar a equipe.

    "Quanto mais tempo ficamos com um paciente, estamos deixando de atender outro. O Samu tem feito o possível e o impossível. No final das contas, o Pronto-Socorro é que tem atendido todos os pacientes. Nossa preocupação é com a vida das pessoas que estão em perigo. Dessa forma, é preciso que haja uma solução quando ao atendimento. Não é só encaminhar para Várzea Grande e dizer que o problema está resolvido, pois lá também estão com paralisação de médicos. Precisamos de uma referência", disse o diretor do Samu.
    Números
    De acordo com dados do Samu, de 8 de setembro a 20 de outubro, foram atendidos 519 pacientes. Desse total, 124 foram encaminhados para Várzea Grande e 395 para as policlínicas. São casos de alta, média e baixa complexidades.

    Vale destacar que alguns casos de pacientes com problemas de baixa e média complexidade que foram encaminhados para as policlínicas tiveram o estado agravado e foram removidos para Várzea Grande, gerando um novo atendimento por parte do Samu.

    Coletiva

    Nesta terça-feira (27), o secretário de Estado de Saúde, Augustinho Moro, concede uma entrevista coletiva para anunciar algumas medidas no que diz respeito ao Samu. Na coletiva, Moro deverá ser anunciar convênio com hospitais particulares, para garantir o atendimento aos pacientes resgatados pelo órgão.

  • Midia News

    Selzy Quinta

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