sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Político executado possuía passagens por tráfico de drogas

José Ribamar Trindade-24Horas News

Alguns garotos, estudantes de uma escola em frente ao local do crime, viram quando um homem de calça jeans, camisa azul, meio gordo, baixo, cabelos cheios ondulados, se levantou do banco que estava sentado no ponto de ônibus, atravessou a rua rapidamente e atirou seis vezes contra outro homem que acabara de abrir o portão principal do prédio e se dirigia para abrir o portão da garagem. O crime aconteceu às 7 horas desta quinta-feira no nº 828 da Rua Papa João 23 do bairro Poção, área central de Cuiabá.

A Polícia confirma que o empresário e presidente do Partido Republicano Progressista (PRP), Arkybaldo Junqueira da Silva, de 52 anos, foi executado em um crime de pistolagem. Junqueira foi atingido por três, dos seis tirios disparados e morreu na hora, em frente ao portão da casa dele, onde também funcionava a empresa dele e a sede do PRP.

O matador, ainda desconhecido da Polícia, fugiu em uma moto parada mais adiante com um segundo homem que o aguardava. O corpo de Arkybaldo foi liberado por investigadores da Delegacia de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP), chefiados pela delegada Sílvia Pauluzi. As investigações, segundo a delegada, começaram ainda no local do crime e pelo menos duas pessoas já foram ouvidas em declarações.

Apesar de ser um político bem conceituado e um empresário bastante conhecido em Cuiabá, no entanto, Arkybaldo, segundo confirma a delegada Sílvia, possuía algumas passagens pela Polícia. Uma delas por tráfico de drogas em 1987. O empresário também já esteve envolvido em crimes de receptação de mercadorias roubadas ou furtadas, mais recentemente, e crime eleitoral.

“Foi uma execução”, afirma a delegada Silva. Ela garante que a Polícia abriu várias linhas de investigações. Ou seja, a delegada não descarta um “acerto de contas”, uma “queima de arquivo”, um crime para cobrança de dívida. A Polícia também vai investigar a participação da vítima em alguns negócios.

“Estamos abrindo várias linhas de investigações. Por enquanto nada está descartado. Já ouvimos duas pessoas, mas ainda vamos ouvir outras. Vamos deixar amenizar o trauma da família para ouvi-la. Incluisve nos também vamos ouvir os empregados da empresa e alguns amigos da vítima”, afirmou a delegada Sílvia.

Junqueira, um dos principais fornecedores, ou o principal fornecedor de cloro para Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) era dono da empresa, Mille Huma Comércio e Indústria Ltda., localizada no bairro Poção.

O presidente do PRP, no entanto, ganhou notoriedade nos últimos dias, com a prisão da vereadora por Colíder, Regiane Rodrigues de Freitas (PRP), acusada de chefiar um esquema de tráfico de cocaína no interior de Mato Grosso.

Em algumas entrevistas, Junqueira alertava para a grande possibilidade de expulsão da vereadora, diante dos acontecimentos, mas ressaltava que aguardaria uma posição final da Justiça para tomar uma decisão dentro do partido. Regiane está presa em Colíder, mas pode ser transferida para Cuiabá, onde ficaria em uma cela especial por ser formada em Direito.

Além disso, a maneira como Arkybaldo chegou a presidência do PRP também está sendo apontado como hipótese para o crime. A vítima assumiu o comando do diretório estadual da sigla depois de uma intervenção do diretório nacional do PRP, que destituiu o antigo presidente, antigo presidente do PRP, Plauto Augusto Vieira. Em entrevista, Planto afirmou não conhecer a vítima e confirmou a destituição. “O diretório foi destituído em dezembro e em fevereiro, nomearam o Junqueira. Não conheço esse cidadão", disse.

Outra hipótese seria uma retaliação de empresários da Capital. Desde a desarticulação da conhecida “Máfia do Cloro”, Junqueira passou a ser o fornecedor único da Sanecap. O preço praticado pelo empresário seria o menor em todo o mercado.

24 Horas News

Selzy Quinta

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