quinta-feira, 8 de outubro de 2009

“NINGUÉM ATIRA PEDRA EM CACHORRO MORTO”!

 

Autor: Ivaldo Lúcio
Da redação

O adágio popular acima, aqui transformado em titulo desse editorial, serve tão somente e apenas, para que, tanto nós dessa publicação, bem como a sociedade como um todo, possamos fazer uma breve reflexão sobre os acontecimentos que vez por outra procuram enterrar em cova rasa alguns políticos do nosso Estado. Isso acontece, comumente quando se aproxima a data de novas eleições.

Nos mais de quarenta anos em que vivemos em Mato Grosso, sempre desempenhando a função de jornalista, já tivemos a oportunidade de acompanhar o drama vivido por vários políticos, no passado, e alguns continuam no presente, sendo tratados como meros delinqüentes.

Esses homens têm sido achincalhados, tanto por pessoas comuns que embarcam na onda das noticias que são apuradas na maioria dos casos, em declarações de autoridades, que tudo leva crer, desejam adquirir claridade através dos refletores da imprensa platinada e luminosa.

É comum autoridades convocarem jornalistas para dar entrevistas com o claro objetivo de falar de fatos relacionados a desvio de conduta deste ou daquele gestor dos bens públicos que veio á tona. Na verdade o que se pretende na maioria dessas coletivas é desmoralizar alguém que nitidamente aparece aos olhos da população com uma liderança capaz de realizar obras sociais de grande vulto. Imaginam eles que um cara com tais qualidades precisar ser derrubado a qualquer preço e de forma imediata para não empanar o brilho daqueles, que mesmo não tendo talento para desempenhar tarefas grandiosas em beneficio do povo, têm necessidade de se manter no poder para defender seus próprios negócios, muitos dos quais inconfessáveis.

Qualificar como salteador, de ladrão do erário e outras cozitas mais, é prática corriqueira nas já citadas entrevistas coletivas. A imprensa por sua vez aproveita a deixa para valorizar suas manchetes diárias e estabelecer junto à população um clima de absoluta desconfiança sobre a conduta do gestor apedrejado.

Vale salientar, porém, que a nossa “destemida” imprensa não dispensa o mesmo tratamento desrespeitoso quando a autoridade denunciada pertencente ao Poder Judiciário, que por um motivo ou outro é alvo de investigação. Ninguém se atreve a chamar um magistrado de ladrão, a não ser em casos excepcionais, como foi o daquele juiz de São Paulo que meteu a mão e os pés dentro da cumbuca e acabou sendo execrado por todo mundo. Ai pode! Aqui na província espocam escândalos por todos os lados e o nome dos denunciados acaba virando piada até em porta de botequim. São chamados de safados, ladrões, e de tudo mais que possa ser considerado pejorativo, a exemplo de Chica Nunes e Lutero Ponce e outros que estão camuflados, aliás, o que mais existe em nosso país são salteadores que deitam e rolam matando gente, traficando drogas, queimando ônibus, arrancando plantações de laranja com trator, e tudo isso na cara do governo e ninguém toma providencias efetivas para acabar com essa pouca vergonha.

Onde está o Ministério Público que não toma providências no sentido de punir os baderneiros do MST? Aliás, o MP ao que se pode perceber diante da sua arrogância pretende estabelecer uma ditadura “ET JUST” ao menos em Mato Grosso. É isso o que está acontecendo. Ou não é? Voltando ao tema inicial desse singelo comentário, desejo acrescentar que não quero e nem devo aqui nesse espaço, me arvorar de defensor desse ou daquele político que estão sendo postos perante a opinião pública como reles salteadores, chefes de bando, que segundo o Ministério Público depenaram a economia do Poder que representam. Não é de agora que temos presenciado as escaramuças do Ministério Público fazendo fogo cerrado contra a figura dos gestores do parlamento estadual, ou seja, deputado José Geraldo Riva, presidente da Assembléia Legislativa pela quarta ou quinta vez, e primeiro secretário daquela casa de leis em outras tantas ocasiões. O outro alvo bombardeado pelo MPE é o senhor Humberto Mello Bosaipo, que como Riva presidiu a Assembléia por várias vezes e igualmente ocupou o cargo de primeiro secretário do parlamento estadual seguidamente, e agora exerce a função de Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Ambos os cidadãos vira e mexe são colocados na berlinda e os comentários contra eles assumem proporções gigantescas, na mais sórdida linguagem, só utilizada nos chamados raios, ou pavilhões que abrigam bandidos de altíssima periculosidade. Os citados políticos viraram troféus que consagram as ações dos seus algozes. Nossa imprensa dispensa generosos espaços para enaltecer a bravura dos que detratam os que são alinhavados no rol das supostas improbidades que teria sido cometida por ambos os gestores. O que nos chama atenção é o seguinte: porque a imprensa não desce o cacete com a mesma veemência e coragem quando a autoridade denunciada pertence ao próprio Ministério Público ou ao Judiciário? Não é estranha a preferência da imprensa em esquartejar somente os políticos que possam ter pisado na bola ou a chutado pra fora? Recentemente foi noticiado que algumas autoridades do Tribunal de Justiça de Mato Grosso estavam sendo investigados por desvio de conduta, e vale salientar que a denúncia partiu da própria corte, e feita por um dos magistrados. O curioso é que na nossa imprensa bororo o assunto foi tratado respeitosamente, e digo mais, até com certos excessos de zelo. O que significa isso? É que o Judiciário tem a prerrogativa constitucional de mandar para o xilindró aqueles que lhes desacatem. Já na área política o polimento é feito com esmeril ou lixa grossa. “Apanha mais que chora menos”. No meu entender é necessário que se faça uma avaliação do custo beneficio de políticos do porte de Zé Riva e HB, bem como de muitos outros que deram muito de si para o desenvolvimento sócio-econômico e cultural de Mato Grosso e do Brasil. Recentemente o filho do presidente Lula comprou uma fazenda por algo em torno de sessenta milhões de reais, se fala à boca pequena que o moço já comprou várias outras propriedades do mesmo porte. Agora perguntam: o moço é ou não é um gênio? Ganhar tanto dinheiro assim de uma hora para outra, só sendo Bill Gates ou quem sabe um mágico, tipo e moda Mandraque. O mais surpreendente de toda essa súbita fortuna aquinhoada pelo filho do Lula em tão pouco tempo, é que em momento algum o moço em tela foi objeto de investigação feita pelo Ministério Público, seja de São Paulo ou da União. A diferença é que Riva e Bosaipo, provavelmente não pertençam a uma casta dominante e sejam apenas descendentes de “dalits”. Se for isso, ai não há problema, podemos até cantarolar a música do Chico Buarque de Holanda que diz assim: “Joga perda na Geni, joga bosta na Geni, ela dá pra qualquer um; maldita Geni!”

Qual o gestor público ou dirigente de empresa privada que nunca cometeu desvio de conduta? Parece-me que já passou da hora do MP dar uma espiada para o próprio umbigo e parar com essa onda de querer bancar o arauto da moralidade pública. Não me recordo o nome do autor do pensamento que diz assim: “Quem tem telhado de vidro não deve jogar pedra no telhado dos outros”. Outro adágio popular lembra sabiamente que “ninguém joga pedra em cachorro morto”. Pura verdade!

LUCIO Dia e Noite

Selzy Quinta

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