Autor: Ivaldo Lúcio - Da Redação
Vou falar na primeira pessoa.
Eu imaginava que nesses meus mais de quarenta anos de lides na área do jornalismo, já tinha visto de tudo. Não tinha. Confesso que ainda tenho muito a aprender, principalmente no jeito de arrancar “bereré” do bolso dos “donos do poder”. Esta semana me deparei com uma cena que me levou a fazer uma profunda avaliação no que toca à forma de levantar dinheiro rápido e fácil, e o mais importante: extra oficialmente sem precisar, necessariamente da mídia oficial como fonte de renda para ajudar na manutenção do meu veículo. Vejam bem.
Certo dia, encontrei o fotógrafo Talaveira com um monte de garrafas de champagne, dessas que se compra em lojas de vender produtos para fazer oferendas para pombas- gira em centro espírita. O criativo fotógrafo estava agitado com uma faquinha nas mãos raspando os rótulos de identificação do fabricante da bebida, e ai perguntei ao “Tala”, porquê de raspar o rótulo, e ele meio sem jeito explicou: é que vou colocar minha própria marca. Como assim, perguntei? “Olha aqui, meu camarada, a cada inauguração de obras do governo, eu lá estou para registrar o ato. “Fala mais, continuei.” Ai ele abriu o jogo: “compro o champagne, coloco a foto da obra inaugurada e dos empreiteiros ao lado do governador e eles ficam alegres com isso e me liberam uma boa grana pelo serviço prestado”. Achei criativa a idéia, alem de muito eficiente, até porque ele não precisa pagar 20% para as agências como faz todo mundo que precisa receber o serviço prestado na área de mídia do governo. Aliás, vale acrescentar que essa forma do governo só pagar a imprensa através das agências de publicidade, é no mínimo indecente, até na maioria dos casos o veículo que prestou o serviço é prejudicado na divisão do recurso que lhe toca. O veículo faz o trabalho, paga o imposto e ainda tem que pagar do que lhe toca mais 20% à agência, que assim recebe nas duas extremidades, do órgão pagador e daquele que prestou o serviço. Isso a nosso entendimento é uma questão que precisa ser discutida por toda a cadeia de prestadores de serviço para os diversos órgãos dos diferentes patamares dos poderes. Estamos chagando à triste conclusão que os proprietários de jornais, revistas, sites e coisa e tal,
para obter sucesso no seu veículo de comunicação, é necessário ser cara de pau e não ter qualquer senso ético. O Talaveira está conseguindo driblar essas dificuldades com sua genial invenção. De repente fazer maracutaias pode até não ser ético, mas resolve as questões financeiras. Se beneficiar, como faz o fotógrafo junto aos chamados segmentos que fazem as obras do governo, seja do Município, Estado ou União, é mais que justo, embora não seja tão elegante.
Os segmentos chamados setores de serviços, ou melhor, empreiteiras (assim fica mais fácil de entender), para aparecer junto aos governantes como eficientes prestadores de serviço, seja na construção de pontes, asfaltamento de rodovias, construção de usinas hidrelétrica, ou até no setor de construção de habitações populares, imaginam todas as formas de bajulação, e não se avexam em bancar a festa com a pompa que o ato requer.
Tanto isso é verdade, que ninguém se importa de quem é o champagne que eles estouram na hora em que o governador, o prefeito, seja lá qual a autoridade a cortar a fita para inaugurar a obra grande ou pequena; tanto faz. No caso em tela, o inventor da modalidade, o fotógrafo Talaveira, está se dando bem na missão de garfar uma boa grana daqueles que compram sua nova tecnologia. E tome-lhe picaretagem.
Talaveira é uma espécie de batedor que vai antes, na frente para esperar a chegada do governador em todos os atos que Blairo pratica no território de Mato Grosso. Lá está o Talaveira com sua objetiva para registrar o fato e colocar no seu site, o “NAVEGADOR MT.COM.BR. A fatura segue a carreata e o paparazzi não precisa ficar choramingando nas agências, vez que o seu “faz-me rir” vem dos alegres empreiteiros que pagam adiantado. Afinal das contas a tecnologia Talaveira confecciona desde rótulos para ilustrar as bolhas de champagne, até CD com ilustração da obra e o ato de inauguração mostrando todo mundo pousando sorridente ao lado do governador e comitiva. Não é lindo? Na verdade, o que de fato é lindo é o tamanho do valor embolsado pelos empreiteiros em cada uma dessas obras que o contribuinte paga sem chiar.
Vai fundo, Talaveira, e vê se levanta uma grana graúda, enquanto o homem da botina tá no comando do Estado e com a chave do cofre não mão. Dizem que ele vai entregar a cadeira para o vice no final do ano, e o Silval, provavelmente não terá mais nada para inaugurar até o final do mandato. Se for assim, não haverá mais champagne para estourar em cabeça de ponte, só nas festas do fim de ano, e nessas, certamente o Talaveira tá fora, portanto...
LUCIO Dia e Noite
Ivaldo Lucio
Selzy Quinta
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