sábado, 26 de setembro de 2009

Estudante libertado

Frederico Rodrigues, aluno da Unic que era mantido em cativeiro por sequestradores, foi libertado na noite de 6ª-feira, ileso

Família optou por não chamar polícia. A partir de agora, sob o comando de Luciano Inácio, caso é investigado

ADILSON ROSA - DC

Após nove dias o estudante de Administração Frederico Arruda Gimenez Rodrigues, 24, foi libertado pelos sequestradores que o abandonaram nas proximidades do clube Círculo Militar, em Cuiabá, após o pagamento do resgate. A família informou oficialmente que pagou R$ 60 mil, mas esse valor, segundo alguns amigos, seria cinco vezes maior, cerca de R$ 300 mil. Frederico foi deixado anteontem, entre 22h e 23 horas. Em seguida, ligou para a família.
Segundo a polícia, durante os nove dias de sequestro os criminosos entraram em contato ao menos uma vez ao dia. No primeiro telefonema, exigiram o resgate de R$ 1 milhão. Informada do sequestro, a Gerência de Repressão a Sequestro e Investigações Especiais (GRESIE) da Polícia Civil ficou de longe acompanhando as negociações.
De acordo com um policial, o acompanhamento ocorreu no sentido de orientar a família a não tomar nenhuma medida precipitada que poderia colocar em risco a vida da vítima. Além disso, as pessoas deveriam ficar afastadas para não especular sobre quem seriam os sequestradores, pois estes poderiam ficar irritados e tomar alguma medida mais grave.
“Uma das medidas sugeridas foi um pedido de prova de vida. E isso ocorreu, um dia antes do pagamento e da libertação do estudante”, explicou um policial. Os seqüestradores, então enviaram uma fita de áudio com um depoimento de Frederico. A partir daí, fecharam o valor para o pagamento.
O resgate foi pago em notas de R$ 100 em séries alternadas e colocadas numa sacola num local determinado pelos sequestradores. Assim que receberam o dinheiro e conferiram o valor, um carro pegou o estudante e o deixou próximo ao Círculo Militar, um local que a vítima conhece.
As investigações apontam que o cativeiro ficou na zona urbana da Capital, mais precisamente, numa casa. Os policiais não acreditam que tenha ficado em alguma chácara ou fazenda nas proximidades, porque seria mais fácil de ser localizada. Nesse tempo, o estudante foi muito bem alimentado. “Temos a informação de que foi uma alimentação razoável. Não foi uma comida de um hotel cinco estrelas, mas, na medida do possível”, disse um policial.
Com o pagamento do resgate, os policiais do GRESIE, sob o comando do delegado Luciano Inácio, iniciam as investigações. Ele deverá ouvir o pai do estudante e o próprio estudante nos próximos dias. Frederico é filho do empresário Jonas Gimenez Rodrigues, dono da Mineradora Ourinhos, em Poconé (a 100 quilômetros de Cuiabá). Ele também é um dos cooperados da Cooper Poconé e considerado uma das grandes fortunas da cidade.
Frederico foi sequestrado na manhã do dia 17, no momento em que chegava à Unic, onde estuda. Rendido por três homens, ele foi colocado num automóvel. A picape foi deixada num estacionamento próximo da Universidade e os familiares a buscaram no dia seguinte. Para não dar pistas, um tio alegou que o estudante estava viajando.

Selzy Quinta

Nenhum comentário: